terça-feira, 29 de maio de 2012

Troca troca

Há algumas semanas fizemos na minha casa uma sessão de trocas. Amigos vieram e trouxeram suas coisas para trocar: livros, roupas, bijuterias, jogos...o que fosse. Também era permitido para os mais apegados apenas emprestar, pois tem gente (culpada!) que se apega a alguns livros.
Passamos horas comendo, bebendo e conversando. E trocando, é claro! Como era a primeira vez, as trocas foram tímidas. Mas surgiram várias lembranças de coisas que poderiam ser trocadas numa próxima oportunidade, e que doravante vão ser guardadas com carinho.
Foi muito legal! Além do convívio e da tarde agradável que passamos (estava friozinho, e tinha pinhão e vinho) nós demos uma movimentação as coisas que de outra forma iriam servir para juntar pó nas nossas casas ou iriam ser descartadas.
Ao invés de comprar mais coisas, movimentamos o que já havia no nossos sistema, por assim dizer, aumentando a vida útil desses objetos, e satisfazendo a necessidade de comprar aquilo. Colocar cada vez menos elementos novos no ciclo. E de quebra, conhecer melhor seus amigos e tirar um tempo para interagir.
Foi super simples, com pouca gente, e o resultado foi ótimo!


Renata recomenda a todos pensar em outras soluções que não comprar: trocar, emprestar, reutilizar, modificar, transformar. Se tornar um pouco mais sustentável, em cada pequeno aspecto.

sábado, 19 de maio de 2012

Era uma vez um bolo de chocolate

Oi, meu nome é Mariana, tenho 31 anos e estou aqui pra fazer uma confissão séria: acabei de comer um bolo de chocolate. Isso mesmo que vocês estão lendo, vou repetir, acabei de comer um bolo de chocolate inteiro, sozinha. E não foi daqueles bolinhos pequenos metidos a besta que estão na moda não, foi daqueles bolos a moda antiga, daquelas formas com furo no meio e tal. Há muuuuito tempo mudei minha alimentação e doce (minha grande e universal tara) foi o corte mais radical que tive que fazer. Pra terem noção tenho meio ovo de páscoa até hoje no armário. Realmente me tornei uma pessoa contida e controlada. Mas é que hoje acordei absurdamente gripada, febre alta e não fui trabalhar. Sozinha em casa, doente, puro dengo. A única solução pra isso foi fazer um suculento bolo de chocolate que comi ainda quente. Inteiro. E só pra dar uma culpinha básica, fiz calda – de chocolate, é claro! Agora tô aqui terminando de tomar o litro de chá quente que fiz pra acompanhar o bolo e fazendo as contas de quantas voltas na piscina terei que dar pra compensar esse momento de histeria! E viva o chocolate!



Mariana escreve esporadicamente. Atchimmm!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tá Louca? Tá bem? Tá feliz?

Sim!!! Tô louca! Tô bem! Tô feliz!!

Meninas, este negócio de ser “chefe” é uma ilusão danada! A gente acha que vai ter autonomia, ganhar bem e ter alguma encheção de saco. Na prática, a gente não tem autonomia NENHUMA, ganha relativamente bem e tem encheção de saco o tempo inteiro! Qualidade de vida ZERO. Não deu pra mim. Este estilo paulista de viver é uma doideira. O povo acha que vc tem que ficar disponível 24h por dia, 7 dias por semana. Chegou a ponto do gerente de SP reclamar comigo que eu não tinha respondido um email que ele havia me enviado às 22h de um domingo!! Disse que precisava de mais agilidade. Sinceramente?! Mineiro não funciona assim. Não é à toa que Belo Horizonte é praça de testes de produtos rsrs Povo chaaaaato!! No Carnaval tive uma crise de choro; voltei a tomar antidepressivo. Até que comecei a ter vontade de quebrar o telefone cada vez que ele tocava. Um dia meu chefe me ligou QUATORZE vezes pra falar a mesma coisa e eu já tinha respondido na primeira que só ia rolar no dia seguinte. Ratifiquei minha conclusão de que dinheiro realmente não compra tudo, liguei pro meu antigo diretor, pedi pra voltar como corretora – não queria nada de coordenação, supervisão, gerência – e ele disse que eu podia voltar na hora. Queria que eu assumisse cargo de gestão, mas não ando querendo. Preciso cuidar da minha saúde, ajudar meu marido a cuidar da dele. Estamos gordos demais. Pedi demissão. Voltei pro emprego antigo, como corretora, mas antes recebi outras duas propostas de trabalho pra gerente e declinei. Fui com meu marido a uma nutri e estamos seguindo o plano alimentar direitinho, nos matriculamos na academia e vamos pelo menos três vezes por semana. Não tenho mais horário pra cumprir. Posso estudar tranqüila sábado sim, sábado não, nos findis só trabalho se tiver cliente agendado e estou viciada em Game Of Thrones rsrs Pra melhorar, uma semana depois que completei 35 anos um carro com quatro carinhas de menos de 30 bateu no carro da frente de tanto que os caras estavam me olhando!! Até conferi pra ver se eu não estava com a roupa suja ou a meia desfiada, mas eles estavam era achando bonito mesmo. Fiquei me achando!! kkkkkk 35 com chassi de 30!! Estou aliviada. Estou feliiiiiz da vida.

Laeticia está louca, está bem e muito feliz!!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dos 3 aos 30 – o tempo voa e não para

Rio Branco, Acre. Sim, ele existe e eu vim de lá, ACREdite! 1985, três anos de vida. Filha única, casa de madeira, calcinha e pés descalços no chão. Chupeta, a companheira inseparável e a mamadeira, às manhãs. Feio até falar isso de alguém que viria a se tornar fonoaudióloga um dia. Mas disposta a abandonar os tais “hábitos orais deletérios” (é claro que nessa época eu lá sabia que diacho isso significava!), aos cinco anos, numa determinação corajosa para alguém da idade, declarei: tchau, chupeta. E com ela foi embora a Gabi bebê. Como recompensa, ganhei uma bicicleta de “rodinhas”. Mas digo que parei por aí, no quesito bicicleta. Lamento até hoje não ter a “desenvoltura” dos amigos que embarcam nas aventuras sobre duas rodas, enfrentam trilhas, longas estradas e até mesmo o trânsito. Mas ok, me contento com as viagens sob quatro rodas – não mais “rodinhas”. Viajar de carro é uma grande paixão, por sinal. Na verdade, viajar é uma grande paixão. Mas vamos por partes, ainda estamos nos 5 e nessa época as viagens ainda não eram possíveis....

Após 9 anos como filha única, passei a dividir as atenções com mais uma mocinha, Rafaela, minha irmã de cachinhos dourados. Desde então passei a exercitar meu lado maternal e cuidador. Mesmo sem querer, me sentia muito responsável por aquela criaturinha. Sensação curiosa de ser meio mãe aos 9... Bom, a fase “Xou da Xuxa” passou e a “era mocinha” chegou precocemente, aos 11. Foi bem numa virada do ano (imagine, de branco, que beleza!!), numas férias com a família, em Fortaleza, Ceará. E assim, uma nova Gabriela ia chegando, uma menina-moça precoce. Precoce em tudo. Era um ano adiantada na escola, sempre quis estar no meio dos adultos, beijei e namorei mais cedo que as amigas, fui morar sozinha muito cedo. Quem sabe pelos meus pais terem me tido muito novos (olha a cacofonia entregando! Haha!), com 20 anos, e eu era a única criança na turma de amigos deles, os meus “tios”. Engraçado porque hoje eu que sou a tia Gabi, a tia de coração dos filhos dos amigos.... É, o tempo passa, o tempo voa...

Num salto pros 13, Renato Russo na cabeça, no toca-fitas e nos cadernos. Colégio das irmãs, na época o chamado ginásio. A vida e os ideais eram românticos. Bolava planos com uma amiga de Curitiba de irmos a sua terra natal fazer Medicina na federal (como se entrar numa faculdade pública de Medicina fosse a coisa mais fácil do mundo!), e depois abrirmos uma mega instituição, onde pessoas carentes seriam medicadas, receberiam banho, comida e roupas decentes.. Ah, como éramos ingênuas e idealistas!... Hoje essa amiga é bióloga e virou empresária, tem um Centro de Yoga e SPA. Não deixa de ser um centro de bem estar, afinal! E eu virei o que meu avô insiste em dizer, “quase médica”. Bem, eu insisto com ele que não, mas sabe como são essas pessoas de antigamente: vestiu branco, virou doutor!

Na verdade, na verdade, esse meu idealismo meio visionário sempre esteve dentro, só recebe pequenas doses de realismo ao passar dos anos. Filha de mãe administradora e de pai professor de História, já quis seguir os passos do meu pai. Ele pulou longe: “- Não, minha filha. Não queira esse fardo. Vida de professor não é fácil”. Mas a vontade do ensino, da troca e de estar e trabalhar em grupo, nunca saiu, nunca me abandonou. E hoje, na construção de minha identidade profissional, tenho tido mais certeza disso.

Pois bem, avancemos aos 15. Metade do segundo ano do segundo grau, pais devidamente convencidos e eu, a tal amiga curitibana e sua irmã, embarcamos juntas numa aventura ao novo, pelo menos pra mim: do Acre ao Paraná, de Rio Branco a Curitiba. Acreditem, o choque é grande. De clima tempo, à clima pessoas. Uma grande experiência que merece textos à parte.

Seis anos, muitos amigos, muitos caminhos e muitas histórias. O sonho de médica veio por água a baixo, após dois anos de vestibulares em todo tipo de universidade pública do Brasil que se possa imaginar. Nesses muitos caminhos, acabei caindo de paraquedas num curso que hoje eu digo que só não gostava antes porque não conhecia (e também não me conhecia o suficiente, diga-se de passagem): Fonoaudiologia. Nenhum outro curso poderia cair tão bem para uma pessoa que ADORA se comunicar, que gosta de gente, que gosta do cuidar, mas que também AMA cultura, arte, música e educação. Sim, a tal educação, lembra? Pois é. Descobri que Medicina era um sonho utópico e estava um tanto longe da minha essência. A propósito, faço um parênteses aqui e digo que acho de muita responsabilidade tomar uma decisão de extrema importância que é a “o você vai ser quando crescer” com apenas 18 anos.

Quatro anos de faculdade, muitos amigos, muitos caminhos, muitas histórias, com direito a namorado argentino e tudo no fim do trajeto (que tinha 39 anos, o que representou muito para alguém que só tinha 21!!). Bem, o namoro não vingou (ele estava pronto para casar e eu ainda não) e a volta, o retorno, o “fechamento de ciclo” foi certa: Acre, de volta pra casa, vamos nós.

Casa dos pais. Não preciso nem dizer que o choque foi grande, agora ao inverso, depois de seis anos morando sozinha, pseudo “dona do próprio nariz” (pseudo porque quem me sustentava de fato até então ainda eram meus pais). Batalhas e colaborações do destino (me considero uma pessoa de sorte, graças a Deus!), após passar em dois concursos públicos, um do município e outro do estado, para trabalhar como fono, fui contemplada num desses apartamentos populares pra (voltar) a morar sozinha. Posso dizer que essa série de acontecimentos foram divisores de água na minha vida. A partir daí já estava com os dois pés na vida adulta, uma vez que já tinha meu emprego, já ganhava meu próprio dinheiro e já pagava minhas próprias contas. De pseudo dona do meu nariz, passei para assalariada endividada, com carro novo e viagens anuais para rever os amigos das terras gélidas do sul, e assim, desestressar o pancadão da vida de gente grande.

Sete anos de volta à terra, numa cidade provinciana de só um cinema (na época, porque hoje já tem um shopping com cinema de primeira que não só passa filme dublado, graças!!) acabaram por fadar uma pessoa que AMA novidades, conhecimento, movimento e diversidade de opções de tudo. Os dois cursos de especialização não saciavam o lado curioso de querer aprender sempre mais, e lá vou eu de volta ao novo, ao diferente, a velha busca incessante pela conquista: Bauru, mestrado em Fonoaudiologia na USP. Novos amigos, novos caminhos, muitas histórias, com o adicional de uma cachorra adotada, que em outra ocasião comento. E então... de repente, 30, finalmente! Mas é isso... o tempo voa e não para.

Após dois anos morando em Bauru, dissertação já nos finalmente, a hora do “estou de volta pra casa outra vez” chegou. Móveis vendidos, cachorrinha despachada e o resto da vida material dentro de um carro que embarca num caminhão cegonha pra casa logo mais. E daqui vos falo, Aeroporto de Congonhas,17h15, numa escala de voo infinito de volta pra casa (sim, o Acre existe mas é longe pra dedel, tipo 4 mil km!!), escrevendo essa mini biografia da minha vida (que de mini não tem nada; acreditem, fono fala pra caramba!) numa tentativa de passar o tempo e driblar a ansiedade. Mais uma vez o coração com esperança desse “novo de novo” e a saudade no peito dos amigos que fiz, deixei, mas que prometo rever. Falando nisso, metade dos amigos que fiz por aí diz que vai conhecer o Acre, mas apenas 2 ou 3, os mais corajosos, acabam indo.

É.. são muitos lugares, muitos caminhos e muitas histórias.... E sobre mim e esses muitos caminhos, lugares e histórias, conto com tempo. A emoção, devaneios e divagações sobre a chegada dos 30 também merecem capítulos à parte. Afinal, sobre isso envolve esse blog e essas super balzaquianas que aqui compartilham suas vidas e pensamentos.

Obrigada por me receberem, meninas! Um agradecimento especial à Renata, que respondeu ao meu email do tipo “que-lindo-tudo-isso, posso-fazer-parte-também, deixa-deixa?”, de forma super receptiva e acolhedora. E como ela mesmo disse, mentes novas são sempre bem-vindas e eu concordo. Por isso a vontade de me misturar por aqui, bem no estilo de novos baianos: “vou mostrando como sou e vou sendo como posso∕jogando meu corpo no mundo∕ andando por todos os cantos ∕ e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto.” Comecemos os trabalhos então, porque o tempo voa, o tempo passa e não para!

Gabriela começa a escrever esporadicamente!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Linhas aéreas não tão inteligentes

Causo da semana: como viajar de Porto (nem sempre tão Alegre) para Porto (nem sempre tão seguro) em 43 horas em sem passar por um deles. Parece impossível? Mas não no Brasil.
Minha filha partiu de ônibus para Porto Alegre, de onde voaria para Porto Seguro com escala em São Paulo. Chegando em São Paulo, muita desinformação depois, soubemos que alguns vôos não estavam pousando em Porto Seguro por causa da chuva. Eu telefonei para o aeroporto e fui informada de que o aeroporto não estava fechado, que alguns vôos estavam pousando e que no dia seguinte tudo correria normalmente, se "Deus quiser". Levantamos a possibilidade de ela viajar para Vitória, dormir na casa de um amigo desses "para todas as horas" e de lá viria de ônibus. A resposta foi que só se eu comprasse outra passagem e perdesse o trecho até Porto, pois eles não podiam alterar o destino.
Ela passou a noite em São Paulo, saiu do hotel às 4 da manhã, pegou o vôo às 6 da manhã e chegou em: Salvador! Porque não foi possível pousar novamente em Porto Seguro. Mudaram o destino? Me pareceu...Não sou gênio em geografia, mas me pareceu.
Lá em Salvador deram opções: ir de ônibus até Porto (leva 12 horas e ela teria que procurar um hotel tarde da noite para pernoitar e seguir viagem no dia seguinte); voltar a São Paulo; voltar a Porto Alegre; esperar em Salvador alguns dias até poder voar para Porto Seguro. Resposta: nenhuma das anteriores!
A nossa preferência era voar até Vitória e vir de ônibus, pois assim os horários fechariam. Ela foi pedir o reembolso, pois afinal de contas ela não chegou ao seu destino, e não recebeu. Motivo: ela já tinha chegado ao seu destino! Como?!
Se reembolso ou qualquer desconto em outro trecho, compramos uma passagem por outra companhia aérea, ela voou para Vitória, pegou um ônibus e 7 horas de estrada até uma cidade próxima. Uma amiga e eu fomos buscá-la de carro, e às 3 da manhã, dois dias depois, de ter saído de casa ela chegou!
Parece piada, que num país desse tamanho, se brinque desse jeito! Falta de informação, de opções, de consideração, de respeito! Ela chegou, estamos curtindo muito o tempo juntas, mas não poderaiadeixar essa história sem o registro.

Renata espera que essa história não desanime futuras visitas, da filha e dos amigos. Mas recomenda evitar o tal trajeto!

Tradução de mim...

Existe um poema, do Ferreira Gullar, que, quando li pela primeira vez, me identifiquei de imediato.
Até fiz uma imagem, mesclando-o com uma foto (que hoje "resgatei" e postei em outro blog, vários meses depois...).

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Traduzindo...

Tenho necessidade de conexão e interação, com as pessoas que gosto, e com aquelas que nem conheço (sou assumidamente uma viciada em redes sociais). Porém, ao mesmo tempo, gosto de estar sozinha, e assim fico por períodos maiores do que deveria. Essa solidão social, na vida "real", que às vezes é bem-vinda, muitas outras me deprime.

Costumo pensar e analisar (até demais) minhas atitudes, relações, ambições, passado e futuro, negligenciando o presente frequentemente. E essa minha mania de sempre pensar, questionar e criticar tudo ao meu redor, especialmente eu mesma, faz meu pensamento viajar... Deliro. Deliro muito. E a melhor parte do meu ser é este meu Eu Delirante, assim como a pior.

Meu Eu Delirante é aquele divertido, agitado, que cria e  inova, que quer mudar o mundo. Meu Eu Delirante é aquele que machuca, que me reduz a um grão de poeira cósmica, que reflete minha insignificância no mundo, que congela e paralisa. É um amigo perigoso, meu querido " friendenemy ".

É um ser que não posso aprisionar, pois se o fizer (já fiz) os resultados serão catastróficos (sim, também é um Eu Superlativo). Então o liberto em imagens pretensiosamente artísticas. Tenho necessidade de expressão, e ele é o responsável. Um dia, talvez, quem sabe, esse meu Eu se traduzirá em Arte.




Andreia escreve esporadicamente, pois fica muito tempo delirando, algum desenhando e manipulando imagens,  e pouco escrevendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O causo da carteira

Esse é da série "coisas que só acontecem comigo". Há algumas semanas, passei o final de semana em um lugar paradisíaco! Praia, mar, rio, mangue, pessoas muito legais e a água de coco mais doce que se tem notícia! Tudo lindo! Mas como lá quase ninguém aceita cartão, separei a habilitação e um dinheiro, e guardei a carteira na mala.
Desfiz a mala com toda a apressa, e na segunda-feira percebi que estava sem carteira. Pensei: tenho que lembrar de procurar na mala. Obviamente, esqueci. E na terça -feira o mesmo pensamento se repetiu.
O detalhe é que nunca perco minha carteira, não sou dessas.
Terça-feira, no meio da tarde recebo um telefonema, no trabalho:
- Você é a Renata?
- Sim.
- Você perdeu sua carteira?
Pensei com meus botões e dei a única resposta que podia:
- Acho que sim...
Resumo da ópera: eu deixei a carteira no balcão de um restaurante, em outra cidade. O pessoal de lá investigou tudo o que havia lá dentro. Como minha carteira é, na verdade, um porta cartões, não há muito o que investigar.
Encontraram minha carteira de mergulhadora e deduziram: se ela mergulha, o pessoal do ICMBio deve conhecer! Levaram minha carteria lá, mas a foto é antiga e niguém reconheceu. Pelo nome, acharam que eu podia ser amiga de uma amiga minha. Ligaram pra ela, que passou meu contato.
À noite fui buscar a carteira, que estava com TUDO dentro. Inacreditável!
Ainda por cima fiz duas amigas, as investigadores do Prado! Essas pessoas não só tiveram boa vontade extrema em devolver a carteira, como foram atrás e se empenharam!
É bom ver que tem gente do bem!

Renata se admira quanto encontra pessoa do bem. Mas não devia, ela acha que isso deveria ser normal.

Preocupações

Costumo escrever coisas engraçadas, dicas culturais ou observações despreocupadas sobre amenidades neste blog. Somente alguns textos são um pouco mais profundo, sobre algum tema relevante. Entretanto, há assuntos que me preocupam demais. Já escrevi sobre tolerância religiosa, sobre algumas compulsões da atualidade, como busca excessiva pela beleza e pela magreza, e sobre a violência contra algumas classes profissionais, como a dos professores. Como não gosto de ficar insistindo, ou escrevendo demais, por temer cair no dramalhão e perder o crédito, acabo preferindo temas mais brandos.

Mas hoje não será possível ir para a brincadeira. Tenho me preocupado muito com as obsessões de nossa sociedade. Dessa vez, o que me deixa chateada é essa vontade de vencer custe o que custar; essa gana de crescer na carreira, de subir na vida, sem se importar com os outros, sem se importar com a real qualidade de vida. E esse comportamento tem se alastrado com uma velocidade assustadora. O que me deixa triste é que a maioria das pessoas com quem convivo tem se comportado assim, e chego a não ter assunto para conversar com elas, pois é somente de vencer na vida, ascender profissionalmente que se tem falado. Não é mais o amor “que anda nas cabeças, anda nas bocas”. Ninguém mais se preocupa nem mesmo com seus próprios sentimentos. O que vale é ter status; é ter sucesso na carreira.

Isso me incomoda demais, porque não consigo, e nem quero ser assim. Mas é difícil conviver com as pessoas, e discordar o tempo todo. A gente fica antipatizada. E, mesmo correndo esse risco, prefiro meu modo de vida. É claro que quero crescer profissionalmente, e, como todo mundo ter sucesso na vida. Mas não quero a qualquer custo. Não quero abrir mão de meus valores, e quero ter outros assuntos pra conversar. Quero comentar filmes que vi, músicas que ouvi, amores que tive, amizades que me são importantes, fatos engraçados e corriqueiros, sem me preocupar com minha postura para ganhar uma promoção no trabalho. Quero trabalhar com a minha competência, e merecer as promoções que possam acontecer, mas sem deixar de ter personalidade, e opinião. Quero continuar com minha vida sem excessos, ou com poucos excessos, e curtir um jantar a dois, ou uma cerveja no bar. Quero vestir num dia roupa social, e no outro, jeans. Quero ser eu, e não ter que pedir desculpas por não me portar como a maioria. Mas essa é a minha tarefa diária mais difícil.



Mini-resumo: Tania não sabe como escrever sobre essa obsessão de sucesso profissional, sem ser chata. Mas ela tem se preocupado muito com o tema.

domingo, 29 de abril de 2012

Surpresa linda, linda...

E sexta-feira, meus alunos do 3º ano do ensino Médio da escola Murialdo Ana Rech aqui de Caxias do Sul fizeram uma surpresa absolutamente linda para mim...

Eles tinham que apresentar um trabalho em vídeo sobre Política e, no meio do vídeo, havia uma surpresa para mim.

Quando começou o vídeo fiquei meio espantada, pensei que estavam de brincadeira... Mas depois chorei emocionada...

Coisa mais amada!!!!



A emoção foi tão grande! E a surpresa também...

São gestos como esses que fazem a vida valer a pena...




Déia escreve aos domingos e a cada dia que passa ama mais e mais a profissão que escolheu...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Campanha: Devolvam meu escorpião.


Um escorpião foi encontrado esses dias, passeado pelas instalações sanitárias do lugar onde trabalho. Foi recolhido, morto, e as providências para com a Vigilância Sanitária foram devidamente tomadas. O problema de infestação de escorpiões, baratas e outras pragas é bem comum em todas as grandes cidades no Brasil. Entretanto, o que mais me deixou triste, neste caso, não foi o perigo que o bicho representa à saúde, mas sim o risco que ele morto representa para o meu bolso!

Como já contei várias vezes, e faço questão de espalhar a notícia eu mesma; pois assim evito que me peçam dinheiro emprestado; sou pão-dura, tacanha, sovina, entre outros adjetivos, que não escrevo mais porque gasta! É isso mesmo; tenho a fama de “ter um escorpião no bolso”, e ele protege minhas economias, evitando que eu gaste! Pois então, desconfio que esse escorpião achado e morto em meu serviço seja o mesmo que fugiu do meu bolso. Ultimamente venho numa onda de comprar demais, gastar demais, e isso muito tem me preocupado. É verdade que nada do que foi adquirido é supérfluo ou fútil, mas, mesmo assim, comprei tanto e gastei tanto que, este ano, ainda não consegui economizar nem um Real!

Eu reclamei no trabalho que o escorpião era meu, fugido do meu bolso, mas o assassinato do bicho já havia ocorrido. Chegaram a me oferecer a devolução do corpo, mas eu não aceitei, pois não me vale de nada o escorpião morto. O caso chegou a público, e já vieram me oferecer produtos de beleza para comprar! Estou entrando em desespero, pois me sinto desprotegida. Assim, lanço a campanha, para o bem das minhas economias: “Por favor, devolvam meu escorpião”; mas tem que ser vivo!


Mini-resumo: Tania gosta de ter a fama de mão-fechada.
Agora está preocupada com esta situação de falta de proteção dos bolsos! Rs...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Que pouca vergonha!!!! Pouca vergonha???


Indo de ônibus para o trabalho, me deparei com uma cena de amor. Olhares apaixonados, carinho nas vozes, rubor nas faces, mãos trêmulas.  Uma energia contagiante no ar! 

Lembrei-me de uma frase de Mario Quintana: “Tão bom morrer de amor e continuar vivendo!”

Todos os olhares voltados para o casal. Todos envolvidos pelo amor que emanavam. 

De repente escuto: Que pouca vergonha!!! Que absurdo!!!

E aí, saio um pouco do meu mundo autista e tento entender a exclamação da moça. Observo e me dou conta que o casal era composto de duas meninas. Novas, lindas, femininas. Não trocaram beijos. Apenas sentaram e ficaram de mãos dadas conversando. O amor estava subentendido. Nos olhares, nas vozes, nas mãos. Ah! O amor!!!

E a moça indignada continuou com a exclamação buscando atenção e apoio: “Que pouca vergonha!!! Que absurdo!!!”

Não consegui voltar para meu mundo e tive que trocar “palavra” com a dita.

“Desde quando amar é pouca vergonha, moça? Pouca vergonha é não sabermos votar. Absurdos são os impostos que pagamos. Amor é lindo! Não é vergonha, não.”

As pessoas me olharam, nada falaram e voltaram para seus ipods, iphones, jornais. A moça não rendeu assunto e as meninas seguiram viagem enamoradas!

2012 e as pessoas com preconceitos idiotas ainda. Será que um dia vou ver um mundo onde o amor não seja “um absurdo ou uma falta de vergonha na cara”?

Carla não vai estender o assunto. Preguiça de ter que explicar que amor não é crime. Vergonha é ser roubado por político corrupto e não fazer nada. Absurdo é ver gente ser espancada na rua e não fazer nada. Imoral é esse monte de gente passando fome, sem casa, sem estudo, sem dignidade. Amor é outra coisa.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Aprendizado – uma vivência constante

Nessa semana uma amiga muito especial se foi. Não pude pensar em outro assunto para escrever, mas não conseguiria prestar uma homenagem tão perfeita como a que Vanessa Dalla Colletta fez. Pedi licença para ela e posto aqui um pouquinho do amor que a Bitcha despertou nos seus amigos.

Aprendizado – uma vivência constante

Dedico este poema a ti Viviane Lorenzi Carniel (Bitcha) , que foi exemplo de garra, força de vontade e felicidade. Ensinou que o mundo é um lugar feliz!!!

Vanessa Dalla Colletta (16/04/2012)

...
Aprendi que a vida é muito mais do que dinheiro,
Que a saúde vem acima de qualquer coisa, seja trabalho, estudo, grana.
Aprendi que os amigos são a família que escolhemos e que devemos sim manter contato sempre.
Aprendi que o manter contato não é só mandar e-mail, mas sim ligar, e muito melhor, conversar pessoalmente, sem pensar “será que vou atrapalhar”.
Aprendi que o abraço é o maior gesto da amizade, do amor. Conforta-nos saber que abraçamos quem amamos. (Sinto falta de tantos abraços gostosos que se foram...).
Aprendi que as coisas pequenas da vida é que são importantes: assistir filme e comer pipoca, um almoço em família, passar horas com amigos jogando conversa fora, viajar para rever amigos queridos, apreciar a natureza, um abraço de bom dia, um sorriso sincero ou uma bela gargalhada!
Aprendi que os planos têm que ser feitos em curto prazo. Planos longos podem não acontecer, não sabemos o dia de amanhã.
Aprendi que temos que ser mais humanos e menos egoístas. Ajudar ao próximo faz tão bem!
Aprendi que devemos perdoar, antes que seja tarde e que sejamos julgados por Ele.
Aprendi que temos que ter garra e lutar pelos nossos sonhos, não apenas sonhar.
Temos que ter garra em tudo e não deixar a peteca cair, jamais!
Aprendi que mesmo em momentos de dificuldade, a esperança não morre, mas sim nos guia e dá forças para viver.
Aprendi que um sorriso vale mais que palavras.
Aprendi que a vida termina quando Deus quer, e não quando nós desejamos, e temos que estar preparados.
Aprendi que Ele é quem comanda e guia nosso caminho, e que nos dá força e nos segura a mão nos momentos de dificuldade.
Aprendi que a saudade dói, corta o coração e que a ausência é preenchida por boas lembranças e por amor, após ter deixado rolar muitas lágrimas.
Aprendi que expressar os sentimentos é humano e revigora... Que devemos fazer isso todos os dias, pois o amanhã é uma incógnita.
Aprendi que reencontros com pessoas queridas revigoram a alma, renovam o espírito e devem ser realizados em qualquer momento, sem datas importantes para que isso ocorra.
Nesse período em vida, aprendi tanta coisa que não caberia num simples poema. Mas aprendi que o amor e a amizade, e, principalmente a saúde, estão à frente de tudo nesta vida.

Renata repete: valorizem o que importa!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Faxinão!

Estou em fase de faxina geral. Objetos pessoais, trabalho, amigos . Na verdade, em dúvida se a palavra de ordem é reciclagem, faxina ou exclusão... Reciclagem acho que não, pois estou me livrando de coisas que não estou interessada em reaproveitar, então estou a caminho da exclusão!

Pensando no conceito dessas palavras, hoje me deparei com o seguinte texto:

“... o termo faxina merece ser esmiuçado. A palavra tem berço no italiano fascina, feixe de lenha, remetendo ao latim fascis, feixe, alusão ao fascismo, doutrina que faz englobar todo o poder, como num feixe, nas mãos de um ditador – assim sucedeu com Benito Mussolini na Itália. Quando, em tempos muito antigos, alguém tinha que carregar braçadas de lenha para limpar um terreno, enfrentava um árduo trabalho. Foi essa noção de estafante limpeza que deu ao termo faxina o sentido de trabalho cansativo braçal, que, mais recentemente, nos ambientes militares, passou a designar a atribuição do encarregado de fazer limpeza geral na caserna ou no convés de um navio, tarefa que e estende às obrigações de faxineira de uma casa...”(Pioneiro, edição 596, pág19A).

Então, através da evolução dessa expressão, concluo que tenho o poder absoluto, o poder da faxina!

Parece simples, mas é trabalhoso! Estou reorganizando meu lar, minhas escolhas, tentando redirecionar minhas prioridades. Nos últimos dias numa limpeza pesada na minha casa, me desfiz de muitas roupas, brinquedos, objetos de decoração, livros...ufa! E neste processo há uma série de recordações embutidas que imediatamente devem ser banidas ou não, dependendo o grau de apego. É interessante, que de tempo em tempo faço isso e gosto muito, porque penso nas pessoas que estarão recebendo o que para mim não tem muito sentido, e isso é rotina, uma vez que as doações são de praxe (às vezes até exagero e surpreendo meu marido olhando o vizinho vestido com as roupas que até ontem habitavam o seu closet). O que foge a regra é me deparar com minhas memórias, pois desde muito cedo escrevia em diários e agendas, guardando bilhetinhos e papéis de bala. Já me desfiz de muitas cartas, mas das agendas definitivamente não consigo! É como se estivesse colocando no lixo uma parte de mim, que se não tiver este registro pode facilmente cair no esquecimento, pois eu mesma não acredito que era dona daqueles pensamentos ou atitudes. Tudo muito normal, todos temos passado e muitas gavetas misteriosas... Sem contar que também podem ser um remédio com efeito instantâneo para tristeza ou baixa autoestima, uma vez que, tem coisas muito bizarras escritas. E é claro que também não consigo me desfazer dos questionários adolescentes e os papéis de carta... ah, os papéis de carta...

Até aqui tudo bem, pois eu estou decidindo o que vai e o que fica, mas há coisas que fogem do controle e que vão sem que eu quisesse... que se excluem de nossa vida e deixam aquela lacuna. Seguindo sempre a teoria de que temos que transformar as perdas em ganhos, sigo minha faxina com o objetivo de abrir espaço para coisas novas, como renovação de energias ou início de um novo ciclo. Já visualizo algumas sementes, basta apenas aguardar os frutos!


Cláudia escreve esporadicamente e está fazendo muitas faxinas ultimamente!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bom conselho

Sabe quando a vida não faz muito sentido, naqueles dias em que tudo parece ter um ponto de interrogação em cima?
Num dia desses eu, que não acredito muito em destino (percebam o muito, já não é descrédito total), abri o Facebook e deparei com essa frase:

‎"Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo.
Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser." Texto Taoista

Não pesquisei se a fonte é essa mesma, e desculpem por postar sem ter me preocupado com isso. O fato é que achei genial! Rodeada de pessoas que falam, falam e falam só porque têm voz, sem nenhum objetivo além desse, e vendo coisas acontecerem sem sentido algum, essa frase literalmente caiu do céu.
Fiquei em silêncio, cultive seu próprio poder interno. Não precise se isolar do mundo, mas ouça. Se ouça. Se conheça, antes de forçar que todas as outras pessoas lhe conheçam e saibam minúcias da sua vida que ninguém perguntou.
Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Sim, há outros seres vivos no mundo, tão importantes quanto você. Todos merecem respeito, e todos são importantes.
A segunda parte é autoexplicativa, e um tapa de luva. Respirei fundo, le e reli várias vezes. Optei por compartilhar, pois a gente sempre pode fazer bom uso de um conselho desses.

Renata deseja que todos possam ter momentos de introspecção, de se conhecer melhor, de ver e respeitar todas as formas de vida. E de deixar os demais serem o que têm a capacidade de ser.  Valorizem o que realmente importa. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Saudades

Até alguns anos atrás, quando alguém me dizia que um sentimento doía, eu ouvia crendo que se tratava de licença poética. Aos menos de trinta, a pessoinha aqui nunca havia passado por grandes desilusões. Perdas então, nunca havia tido. Então era mesmo difícil não ter certeza de que o mundo era um mar de rosas. E sentimento doer só podia mesmo ser poesia.

Aí, numa bela segunda-feira, de ressaca da saideira do Comida di Boteco, o Bola me ligou pra dizer que o Buda estava no hospital e que tinha ligado pra ele pra tentar apressar o exame que ele faria. Não me lembro exatamente quanto tempo depois meu querido amigo estava internado, no CTI, muito mal.

Foram quase 30 dias de muito sofrimento, mas também de esperança de que aquele cara bacana, forte, sairia daquela e que nós ainda tomaríamos muitas cervejas lembrando do episódio e do susto que o Buda nos dera. Mas infelizmente não foi assim que a história terminou. No dia 11 de junho de 2006, acho que era um domingo, acordei com uma ligação. Até aquele dia foi certamente a pior notícia que eu já tinha recebido na vida. O Buda havia entregado os pontos. Passou a régua e pagou a parcial, o filho de uma égua!!! Onde é que já se viu deixar os amigos órfãos assim?!! Mas deixou.

Ontem seria aniversário do Buda. Ele completaria 37 anos. Como será que ele estaria? Será que ele teria se casado? Estaria ainda na Fiat? Já estaria pegando a grana do pessoal pra comprar os ingressos da Saideira? E o Graaaande Reveillon da Montanha? Será que ainda faríamos todo ano?

Sem o Buda a COGREM (Comissão Organizadora do Graaaaaande Reveillon da Montanha) acabou. A gente perdeu a graça. Ir ao campo sem ele também ficou sem graça. Comassim ir ao clássico no Mineirão sem o Buda?!! Confraternização de Natal sem o Buda?!!

Aos poucos, fomos nos recuperando. Tentamos nos manter unidos, mas a verdade é que o Buda era nosso elo mais forte. Acabamos nos dispersando. Alguns se mudaram de Belo Horizonte, foram pra Recife, São José, São Paulo, Brasília, Varginha, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Niterói... Começaram a nascer as crianças que nunca tiveram o Tio Buda. Só a Iara teve esta sorte.

Foi muita ousadia da minha parte pensar que, da turma toda, só eu tinha lembrado do aniversário do Buda ontem. Aí um postou uma foto no face, outro postou mais uma, e outra, e o Breu fez o grupo que a gente ainda não tinha – o Buda jamais deixaria isso acontecer!! Comassim a Galera da Montanha não ter um grupo no face!! – e foi todo mundo postando foto antiga e lembrando maravilhosos momentos. Momentos que não voltarão jamais. Só na memória. E no peito. Que até agora está doendo demais. Agora eu sei que sentimento dói de verdade. Sei também que a vida continua. E continua sendo poesia.


Laeticia está hoje muito mais saudosa e emotiva do que estava ontem. E quer dizer a todos os seus amigos, de ontem e de hoje, que ama todos, do fundo do coração.

Como é, afinal, a balzaquiana de 2012?

Dia desses, numa conversa com um amigo, novamente me deparei com uma questão e uma resposta que nós, balzaquianas assumidas, já sabemos (mas que muita gente mais nova, ou mais velha, ainda não se deu conta).

Como é a mulher de 30 hoje?
A resposta: depende da balzaca em questão!

Dessa vez, não vou escrever sobre aparência, já o fiz aqui . Escreverei sobre o comportamento.

Existem vários tipos de balzaquianas (os leitores que nos acompanham já se deram conta disso), descreverei, brevemente, alguns:

- a solteira desencanada:

Nós (faço parte desse grupo), somos solteiras porque assim estamos (algumas até já foram casadas). Queremos ser felizes (e somos insatisfeitas, muitas vezes).  Antes de colocar uma nova família no meio, queremos conhecer o nosso verdadeiro eu. Não somos egoístas, nada disso: queremos ser independentes antes de ter pessoas dependendo da gente. Entenderam? Nos dedicamos a nossa profissão, aos nossos amigos, ao nosso amor, aos nossos bichinhos de estimação, a nossa casa, aos nossos dramas. Queremos aprender muito: ler, estudar, viajar, testar... Queremos, também, nos dedicar a um filho, ou um marido, mas não acreditamos em gravidez acidental e em casamentos forçados, queremos frutos de um amor, numa situação de equilíbrio emocional e financeiro. Sim, queremos muito, e por isso, continuamos solteiras (e temos fé na santa medicina para adiarmos a maternidade até uns 40...).

- a profissional:

Esta balzaca pode tanto ser solteira quanto ser casada. O importante, aqui, é brilhar em sua profissão (antes que a considerem fria, já aviso que ela não é). Dedicar-se com afinco a uma profissão requer sacrifícios que poucas de nós estão realmente dispostas a enfrentar. São mulheres batalhadoras, que são vistas como agressivas, se solteiras, ou como insensíveis, se casadas, ou ausentes, se mães. Dependendo da profissão, ainda enfrentam o estigma de serem mulheres em posição de poder, e, em alguns casos, apesar de serem mais competentes, mandarem e se responsabilizarem mais, ainda recebem salários menores que os masculinos em categoria similar. Normalmente, são boas mães, boas esposas e boas amigas. Elas são pessoas focadas, objetivas, e, acreditem, seu tempo é precioso, portanto, sempre priorizarão a qualidade. Briguinhas bobas, fofoquinhas, intrigas, ou qualquer outra coisinha sem importância, não têm espaço na vida delas. Simplesmente, porque elas não têm tempo a perder com isso! 

- a casada e sem filhos:

Apesar de já terem encontrado um par, não têm filhos. O motivo de não terem filhos são inúmeros: emocionais, biológicos, financeiros, ideológicos. Porém, quaisquer eventos familiares se transformam em  interrogatórios: "pra quando é o bebê?", "quero ser madrinha, hein?", "já tentou o chá da santa barriguda?", "quer levar chifre? cuidado, ele vai te largar se não tiver uma criança!". São muito cobradas pela sociedade e pela família. Acredito que, atualmente, recebem mais cobranças que as solteiras, porque já é relativamente normal, para muitos, ver alguém optar por uma vida sozinha, mas uma vida de casada sem filhos gera indagações diversas. Existe, sim, família a dois! Um casal pode construir muitas coisas além de filhos, tristes são as pessoas que não enxergam isso. Estas mulheres, apesar de serem alvo nos eventos sociais, estão bem consigo mesmas, têm seus momentos de dúvidas, como qualquer outra mulher, e sabem que tudo tem seu tempo e que estão no caminho certo. Têm suas prioridades, individuais e a dois, que pode ser , inclusive, o filho que ainda não aconteceu. Merecem um descanso dessas perguntinhas chatas!

- a mãe de família:

Estas são as mulheres que optaram por uma família tradicional: marido e filhos. Escolheram e planejaram esta vida. Sonharam com isso desde crianças, idealizaram e concretizaram muitos dos sonhos adolescentes, grande parte, ainda antes dos 30. São mães dedicadas e adoráveis! Curtiram a gravidez, curtem os filhos, que na maior parte ainda são pequenos. Muitas tiveram casamentos tradicionais. Algumas poucas estão nesta situação sem planejar, mas amam viver em função da família. Não estou descrevendo "amélias" ou mulheres "do lar", estes seres estão em extinção! São mulheres que trabalham, estudam e tudo o mais. Suas vidas tem dois ou três turnos! Têm um dia-a-dia muito cansativo. Mas a prioridade é a vida familiar num sentido mais tradicional. Costumam ser pessoas doces e com muito amor, não apenas à sua família, mas ao ser humano e à sociedade. Acredito que estas são as românticas dos trinta anos. Talvez seja mera coincidência, mas na minha experiência pessoal, também são as mais engajadas em trabalhos voluntários, e as que mais se solidarizam com o sofrimento alheio.

- a mãe de adolescente e/ ou jovem adulto:

Elas podem ser casadas com o pai do filho, podem já estar em um segundo, ou terceiro, casamento, ou podem ser solteiras. Hoje encontraram equilíbrio, ou algo próximo, mas grande parte tem uma história de luta. Muitas dessas mães engravidaram sem planejar, enfrentaram alguns preconceitos, algumas enfrentaram família e falta de dinheiro, muitas também não contaram com o apoio do pai da criança. Estas são as balzaquianas guerreiras! E hoje também parceiras das crias! São as mães-amigas-irmãs. Chegaram aos trinta com muita bagagem, consequentemente, costumam ser mulheres sábias, talvez não de uma forma erudita, algumas encurtaram sua vida acadêmica, mas possuem uma sabedoria madura sobre a vida e as pessoas, e um incrível jogo de cintura.

- a solteira convicta:


Esta seria a legítima solteirona. Ela não está assim, ela é assim. Pode ou não ter filhos. Mas um marido não faz parte de seus planos. Ama a liberdade de ser e de agir. Tem seus casos, seus amores, mas é totalmente independente. Gosta de agir conforme sua vontade, seus sentimentos. Não abre mão de seus planos facilmente, adora a liberdade. Não conheço muitos exemplares deste tipo para exemplificar da melhor forma, mas elas existem! 

- a solteirona desesperada:

Esse é o tipo de balzaquiana que denigre a categoria. Elas querem muito casar e ter filhos! Até aí, tudo bem, muitas balzaquianas desencanadas e muitas que priorizam a profissão também querem muito casar e ter filhos. O problema: só falam disso! Conhecem um homem e querem logo saber o estado civil (e ainda existem as que além do estado civil querem saber o extrato bancário e a árvore genealógica). Catam pretendente em qualquer situação. Quando conseguem alguém, dizem "eu te amo" em menos de um mês de relacionamento, três encontros e declaram namoro (parece que o infeliz é o último exemplar do gênero masculino). Esse é o tipo de balzaquiana que assusta! Pressiona e chantageia (e não sabe porque está sozinha... ah, sabe: "homem não presta"). Infelizmente, marcam de forma negativa aqueles homens desavisados que cruzaram seu caminho (e os estragam para as demais trintonas solteiras). A justificativa da pressa, muitas vezes, é o desejo da maternidade. Sim, ainda temos um prazo biológico, mas que varia de mulher para mulher. E temos os avanços da medicina, que possibilitam adiar, pelo menos um pouco, esses ponteiros, ou congelando óvulos, ou realizando tratamentos hormonais. Mas estas mulheres ignoram os avanços tecnológicos, a possibilidade de ser mãe solteira ou de adoção, e, principalmente, o bom senso. Estereotipam a categoria (numa forma caricatural, muitas vezes).




Devem haver mais tipos de balzaquianas que não lembrei, e, em cada tipo, existem, sim, as exceções, assim como existem as mesclas, mulheres que são um pouco de um tipo, um pouco de outro.

Andreia, uma balzaca solteira e desencanada, algumas vezes frustrada, outras sonhadora, escreve esporadicamente. Neste texto, fez uma categorização baseada em observações pessoais, que podem não ter correspondência na realidade de outras pessoas, ou de mulheres de outras regiões.
Andreia aceita opiniões contrárias, podem comentar!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu te amo

Uma das mais belas canções, que fala do tema mais lindo, intenso e redundante, o amor,  tem esse título: Eu te amo . Tom Jobim e Chico Buarque deixam qualquer coração rasgado. Para os românticos das grandes telas, o marcante P.S Te Amo traz análises sobre o amor eterno e a magia destas palavras. Inúmeras poesias e autores do mundo inteiro discorrem sobre este sentimento universal.

Tenho certa dificuldade em ouvir essas palavrinhas tão carregadas de responsabilidade. Não sei exatamente  quando ou onde estava quando li o conceito de “amor", pode ser que eu tenha registrado o que no momento era plausível para mim, enfim, dizia que "amar alguém era sentir que não há possibilidade alguma de viver sem aquela pessoa, que estar sem ela é como estar sem ar", acredito que levei o conceito muito a sério, daí minha reflexão toda vez que o assunto surge.

Com o passar dos anos, tenho melhorado bastante; demorei muito para dizer ao meu primeiro namorado que o amava e, quando não o amava mais, não conseguia nem ouvir ele falando que me amava (confuso ou normal?), que tinha imediatamente vontade de dizer a negativa, muita vontade...Outras vezes, ouvi isso de alguém que não me despertava nada perto dessa falta de ar , então - bingo! - era hora de sair à francesa. Também já tive vontade de dizer a alguém que não merecia, uma vontade grande, como se depois que as palavras mágicas fossem proferidas o letreiro de “felizes para sempre” piscaria sobre nossas cabeças! Ainda bem que não falei, seria mais um erro.

Além de minhas experiências, tenho as hipóteses ou experiências alheias: ouvir de alguém que fala a tal frase por falar, alguém que nem imagina que sente isso, ou ainda, alguém que não tem certeza se é isso mesmo. Mas, convenhamos, ouvir quando realmente se quer, quando você pensa “este é o momento de dizer, tem que ser agora!”, quando é recíproco, é uma explosão de sentimentos, é como se houvesse o antes e o depois. Ouvir apenas como processo rotineiro também tem seu valor: "psiu amo você, hein, não esqueça disso. Caso eu falte daqui há algum tempo, está dito. Vou tranquilo e tu ficas eternamente com esta sensação que eu tenho amor por ti!”

Com a enxurrada da internet, e a nova geração, há uma constante discussão acerca da banalização deste sentimento, das facilidades que temos hoje, principalmente, em falar algo pensando apenas no presente, esquecendo a seriedade e intensidade da palavra pronunciada. Talvez isso não pertença a nós, mulheres de trinta, que ficávamos no portão aguardando o carteiro trazer nossa felicidade numa folha de papel, e em função disso refletíamos mais sobre o que estávamos sentindo. Mas eu, do meu escondido jeito careta de ser, gostaria que todos ouvissem um Eu Te Amo só quando fosse realmente catártico, para ouvirmos os sinos tocarem e sentirmos a dupla flechada do cupido.

Cláudia escreve esporadicamente.

domingo, 8 de abril de 2012

Quem não é visto não é lembrado... INFELIZMENTE!

Tenho me sentindo meio perdida em meio às pessoas que eu conheço há tantos anos e com as quais convivi por muito tempo.

Tenho me sentido descartada, excluída...

É como se minha importância em suas vidas tivesse sido reduzida a praticamente nada...
Fico absolutamente impressionada com a facilidade com que as pessoas descartam as outras de suas vidas...
Infelizmente parece ser verdade a tal máxima: “Quem não é visto não é lembrado”...
Déia escreve aos domingos e está muito chateada com a indiferença de certas pessoas...