sábado, 28 de novembro de 2009

Época do não sei.


Inquestionavelmente, esta é a minha época do ano carinhosamente apelidada de “não sei”.

O primeiro “não sei” que aparece na minha mente é o de onde passarei o natal. Parece bobagem, ainda nem é dezembro e eu já pensando no natal. Explico: durante muitos anos, minha família, por parte de pai, passava o natal reunida. Porém, com os falecimentos últimos, sendo que o último foi do meu pai, minha minúscula família tem se dispersado, embora exista a tentativa de reunir todos. O minúscula é de pequena mesmo, considerando os de sangue e os agregados, oficiais e extra-oficiais, não chegam a uma dúzia.

O outro “não sei” recorrente é: o que farei no próximo ano? Isso não significa que eu seja uma pessoa sem metas, ao contrário, tenho muitas. Mas como sou mentalmente desorganizada (ok, sem piadinhas de loira, tá?), tenho dificuldades em estabelecer prioridades. Normalmente quero tudo em curto prazo, mas, infortunadamente, minha vida tem a velocidade de uma tartaruga subindo uma ladeira sinuosa, então, dificilmente consigo o curto prazo - espero que a fábula do coelho e da tartaruga tenha algum fundo de verdade.

O pior “não sei” é quando invento de fazer um balanço da minha vida, porque quando isso ocorre, a recaída depressiva é automática! Logo, evito, com todas as forças, fazer isso, porém, a curiosidade é meu fraco, assim como certa compulsão de listar...

Fora isso, é não saber como será meu humor nessa época de fechamento de ciclo... Sim, sou uma mulher de fases, de lua (inclusive astrologicamente, meu signo é câncer).

Sim, sou muito indecisa em relação a mim. Precisamente, em relação ao meu futuro, que aos poucos se transforma no presente que não corresponde ao futuro imaginado no passado.

Não sei se meus desejos se realizarão, mas sempre passo por todas as superstições que conheço numa virada de ano, melhor tentar uma ajudinha do além.

Mesmo tendo a certeza de um futuro próximo incerto, Andreia deseja que sua vida flua da melhor maneira possível, e que os “não seis” sejam substituídos por certezas descobertas através de surpresas agradáveis. Tudo é possível no mundo de Alice, é só tentar manter a cabeça no lugar...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Cólera Nunca é Súbita


Há determinadas coisas que as pessoas dizem por aí que não deixam a menor sombra de dúvida de que falaram sem pensar. Aliás, o mais se tem visto e ouvido são pessoas sofrendo verborréias de fazer tremer o mais reles mortal, que dirá os Imortais. Embora muito do meu respeito pela Casa tenha ido por água abaixo depois que aquele senhorzinho maranhense adquiriu sabe-se lá como o seu fardão. Enfim, acabamos nos acostumando tanto a estes despautérios com nossa língua e literatura que nos surpreendemos muito quando algo de bom surge diante de nossos olhos e ecoa em nossos ouvidos. E ficamos dias e dias nos lembrando daquele momento de luz.

A Cólera Nunca É Súbita.

Alguém aí já tinha parado para pensar nisso? Já ouvi várias vezes as pessoas dizendo “fui subitamente tomado pela cólera”, “o ódio tomou conta de mim de repente”, “ quando vi, a raiva tinha me dominado na hora”! Antes que alguém ache que eu acabei de sair de um hospício ou até mesmo da cadeia, pra quem não sabe, advoguei na esfera criminal durante quase sete anos, por isto é que já ouvi muito estas frases.

Mas a realidade é que ninguém é subitamente tomado pela cólera. O ódio não toma conta de ninguém de repente. Nem a raiva nos domina sem que tenha nos dado sinais de sua presença. Aquele momento no qual passamos do limite, quando perdemos o controle de nós mesmos e nos sentimos completamente dominados por um sentimento ele não surge assim, do nada. A palavra, o gesto, o olhar, o riso. Ou justamente o contrário, a ausência da palavra, do toque, do olhar, do sorrido são apenas a gota d’água no copo de cólera.

Quem nunca assistiu ao filme do Raduan Nassar devia. Um Copo de Cólera pra mim era um filme meio incompleto até eu ver a Cólera, do Alexandre Wagner. Acho que agora o filme faz mais sentido pra mim. Era o que faltava pra eu entender aqueles olhos vidrados do personagem que superficialmente apenas declarava guerra às saúvas! Se é que alguém consegue perceber algum tipo de superficialidade num trabalho tão profundo como o do Raduan Nassar.

Você tem razão, Alexandre, a cólera nunca é súbita. Acho que cólera pode ser o somatório de tantos sentimentos e experiências que eu não me atrevo a entendê-la, tampouco a defini-la. Esta é uma tarefa complexa demais. Mas tenho um palpite: talvez a cólera seja apenas a gota d’água.


Laeticia já teve seus dias de fúria. E quem não os teve?



(*) http://www.alexandrewagner.com.br/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Relicário

Dona Benedita viveu muito bem.
Era corajosa (principalmente), amorosa (mas não sentimental), brava (até o fim), ranzinza (até ser engraçada), forte (e não agüentava mimimi de ninguém), vaidosa, sagaz, decidida, firme. Era bem feliz.

Dona Benedita morreu dormindo aos 87 (talvez 89) anos. Morreu de velhice, ainda lúcida, após ter ajudado a criar vários netos (eu, inclusive).

Deixa para trás, com muitas saudades, 4 filhas, 15 netos e 7 bisnetos. Genros e noras. Amigos, primos, sobrinhos, irmãs.

Deixa o exemplo de uma matriarca, que sempre teve nas mãos as rédeas da própria vida.

Deixa em nossas lembranças o cheiro de lenha queimada no fogão, de café passado na hora, o gosto da melhor comida do mundo.

Deixa em nossos corações a certeza de que a vida é passageira. E passa muito rápido.

Milena escreve aqui às quintas. Nessa, está a 7 dias de luto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma pausa na vida.

Tinha a certeza de já ter se sentido assim antes. Após algum campeonato, após alguma formatura, após a morte de alguém. Sempre depois de algo importante. Achava que devia até mesmo ser uma reação fisiológica à adrenalina de um momento muito intenso, a calmaria depois da tormenta.

Não sabia bem se gostava ou não da sensação. Uma espécie de saudosismo, a falta de não se sabe o quê. É como se tivesse perdido algo. Não algo que se foi, deixando um vazio, mas algo transbordado, deixando uma plenitude um pouco apavorante.

Uma pausa na vida a assustava, ainda que breve, onde não havia nada que queria muito, ou nada que fosse para ontem. Era como uma folha branca de papel, mágica pelo convite de que tudo ali pode ser criado, mas trágica para o criador, em seu medo do que pode vir a criar.

Um silêncio oco como trilha sonora, deixando espaço para verdadeiramente ver pessoas e situações que antes também estavam ali, mas não havia espaço para elas. Sente suas dores, vibra com suas conquistas, surpreende-se como uma criança com emoções sentidas pelos outros, tomando o lugar das emoções há pouco reservadas apenas para si mesma.

Pensou ser um tipo de tédio, mas não, um tipo de apatia, mas não. Apenas desligou o automático. Desligou-se das listas. Desligou-se das opiniões, de preocupar-se em corresponder ao que desejavam dela. Desligou-se de dar explicação quando não compreendida. Desligou-se de surtar quando o esperado resolve se atrasar, ou simplesmente não acontece. Desligou-se de analisar infinitamente se a decisão, ou a ação, era a mais correta, a mais adequada, como um cão correndo atrás do próprio rabo.

Pensou ser um tipo de preguiça, e descobriu que era mesmo. Preguiça de sua natureza ávida por novos caminhos. Preguiça de si mesma. Assustadora, mas deliciosamente preguiçosa, decidiu que queria permanecer assim, esbanjando este sentimento estranho que não era novo, mas era raro.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Procurando rascunhos, com preguiça de páginas em branco.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O mico do ano

Sei que o ano ainda não acabou, embora essa seja a sensação. Mas o mico que paguei esses dias com certeza não será superado até o dia 31 de dezembro!

Primeiro, pra contextualizar, uma pequena exibição: fiz mais uma apresentação com o coral e foi mooooito melhor que a primeira. Isso na minha opinião, o que é bem discutível.

E acabei saindo de lá em torno de 1 da manhã. Acontece que há semanas tinha combinado com uma amiga de ir nesse dia com ela a uma festa à fantasia. Ela estava no lugar da festa, fantasiada, me esperando e sem bateria no celular...

Eu, que sou uma super amiga (e modesta!), fui pra casa, tomei banho, montei uma bruxa de chapéu de tudo e fui pra festa! Visualizem, se puderem: eu chegando de táxi à 1 e meia da manhã numa festa à fantasia lotada, mas apenas umas 10 pessoas efetivamente usavam fantasia!

Como assim?! Não se pode mais nem contar com o espírito festeiro das pessoas? Com a falta de senso do ridículo?!

Respirei fundo e fui. Na entrada me ofereceram uma máscara. É óbvio que eu usei, precisava muito de uma máscara, pra tentar passar despercebida! Lá dentro, procurei minha amiga: loira, de roupa preta, provavelmente de máscara... Vocês não têm ideia de quantas loiras de preto e de máscara tinha naquele lugar!

Mas tudo acabou bem, com final feliz. Nos encontramos, a festa foi massa e minha cara de pau está cada vez mais lustra!

Renata escreve às terças, e espera que o mico do ano fique por aí, porque senão a coisa vai ficar preta!

domingo, 22 de novembro de 2009

O sonho não acabou


Foram 3 semanas de puro prazer.

O casamento da minha amiga de infância, alguns jantares com amigos, o batizado da minha afilhada, três aniversários, outros almoços e jantares com amigos, encontros com a família, massagem, manicure, pedicure, viagem a casa de praia e ao Rio de Janeiro, comida feita pelo meu pai e pela Gelci, estadia em hotel, estadia na casa de uma querida amiga, visitas de amigos e familiares queridos, nascimento de bebês, visita de um alemão ao Brasil, jantares no restaurante da minha irmã e vários churrascos gaúchos.

Sim, foram tantas emoções.

Até que chega o dia de pegar aquele avião que os retornará para a terra dos cangurus.

Ela acorda em sua casa e pensa: não, este não é um pesadelo, você não mais está no Brasil, e fala ao seu marido: - “Este não é meu lugar, chegou o momento do filho pródigo voltar a sua terra de origem.”

O marido a fita, parece não acreditar no que a esposa afirma. E sorri em silêncio: - “Por você eu dançaria tango no teto”. E concorda.

O Brasil me terá de volta, sim!

Este é o melhor dia do resto da minha vida. O sonho não acabou e em no máximo um ano eu volto a morar em Porto Alegre.

Lílian Scherer escreve aqui esporadicamente e pergunta: eu não disse que o próximo texto falaria de coisas boas?


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Intelectual?


Nunca achei que alguém fosse estúpido o suficiente para acreditar naquela piada de que homem compra Playboy porque as reportagens são ótimas. Homem compra Playboy pra ver mulher pelada. Mulher bonita, gostosa, boazuda e pelada, evidentemente. Não necessariamente bonitas, ok. Mas sob o ponto de vista masculino, que é o que interessa, venhamos e convenhamos, 100% das capas da Playboy enquadram-se absolutamente nos quesitos gostosa e boazuda. O resto é resto. É bônus.

Ledo engano. E ivo. Parece que a Fernanda Young acredita neste conto da carochinha. Senão teria ficado em casa escrevendo mais uma historinha pro Rui e pra Vani!! E sequer cogitaria a hipótese de ser campeã de vendas da Playboy. A menos que seja uma piadinha infame por parte dela, caso em que já faço a mea culpa e peço pra sair!! Mas a pior piada ficou registrada. Em milhares de exemplares, um dos quais está aqui em casa.

E pensar que a assinatura da revista sai do orçamento familiar!!! Lastimável.

Ainda bem que a Flávia Alessandra vai lavar a honra da revista no mês que vem. Porque já que é pro meu marido ficar vendo mulher pelada em revista, pelo menos que seja uma mais gostosa que eu!!!

Laeticia primeiro vê e depois lê a Playboy há pelo menos oito anos. Normalmente acha os ensaios lindos, mas este da Fernanda Young ela considera uma piada de mau gosto com os assinantes. Pior, só se sair mesmo a talzinha da Uniban.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pílulas baianas

Uma das primeiras coisas que um baiano diz ao te conhecer é que é para não estranhar que baiano tem talento: “tá lento” pra tudo.

No primeiro dia na pousada descobrimos que no meio do mato deveríamos pegar quatro canais da TV a cabo. No nosso quarto só pegavam três. Pedi para darem uma olhada. Resultado: agora só pegam dois.

Pra cobrar os olhos da cara por qualquer coisa, no entanto, o baiano é bem ligeirinho... R$ 3,00 por um côco? R$ 45,00 por um peixinho na brasa pescado lá mesmo? R$ 10,00 pra sentar no guarda-sol? Ligeiros, heim?

(homem com a filhinha em loja de artesanato de madeira)

- Que bicho é esse moça?

- É um apito!

(a pessoa aqui procurando para um amigo uma encomenda de um negócio azul pra usar no pescoço, daqueles “de religião” que esqueci o nome)

- Moça, como é o nome disso aqui?

- Colar (!).

Não acredite imediatamente no que um guia turístico baiano te diz. As chances de ele estar tirando onda com a sua cara são de 90% e dele estar inventando são de 10%. O bom é que ao menos até o fim do passeio ele confessa.

Se você é como eu e discorda do que todos dizem a respeito de frutas que causam prisão de ventre (como goiaba, caju e jabuticaba), não tente jamais comer subseqüentemente oito cajus, mesmo que pareça irresistível comê-los na Bahia, direto do pé. Isso não é uma boa idéia.

Puko me ajuda! Não tem nada passando na minha cabeça, e agora?

Quando algum passeio reservado com muita antecedência for cancelado, não se preocupe. Use o tempo extra pra questionar a três guias diferentes os motivos do cancelamento e receba três histórias estapafúrdias totalmente distintas como explicação. É divertido.

Se você for fazer um batismo de mergulho em alguma piscina natural com mais ou menos sete metros de profundidade e desconfiar que seria ridículo você lá, de long, nadadeiras, máscara, pesinho na cintura e cilindro, enquanto passa uma bonita só de biquíni e snorkel por baixo de você, pode ter certeza de que é exatamente isso que vai acontecer.

Cuidado com os hippies baianos. Eles têm a incrível habilidade de te vender tranqueiras por um preço absurdo. Pior é que você ainda sai achando que fez um bom negócio, até perceber que foi praticamente roubada, e ainda por um doidão.

Na Bahia (pelo menos no pedaço onde estamos), não toca mais Aché, nem tem fitinha do Bonfim, e é difícil achar um acarajé. Baiano não é mais lento, os gringos invadiram, turista brasileiro é quase ignorado e aqui, a inflação forte ainda existe. Mas mesmo assim, a Bahia continua linda, maravilhosa, e perfeita pra esquecer o mundo lá fora.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Nesta, em lua-de-mel e de férias na Bahia, super em paz, super relax, super light, cheia de amorzinho e com muito “tá lento”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

You must do before 30`s (lista precoce)


Como muitos já perceberam, sou colega da Milena no time: Eu adoro fazer listas! Seja de lugares aonde ir, coisas a fazer, a comprar, até e-mails a mandar.
Se você procurar um pouco, encontrará diversas listas como 30 coisas para fazer antes dos 30. Há itens legais, outros são pura bobagem, mas são listas de outras pessoas, de outras vidas. Fazendo jus ao meu caráter ansioso e precoce, comecei a pensar na minha lista pré trinta, lembrar de coisas que queria muito fazer, coisas importantes que já fiz, embora ainda faltem quase 3 meses pra eu trintar. E, sabe, fiquei bem satisfeita com a minha listinha:
- já tive uma filha (passei meus genes adiante, com muito sucesso!);
- já me graduei. E fiz mestrado. E fiz especialização;
- já amei e fui amada. Tive o coração partido, mas continuo firme;
- magoei e fui magoada. Perdoei;
- estive perto de desistir, mas lutei;
- acampei e fiz trabalhos de campos em lugares incríveis;
- tomei banho de cascata no inverno, de jeans e camiseta, na água tão fria que era difícil respirar;
- já fui pra Europa. Pros EUA. E conheço vários lugares do Brasil;
- já fui a Minas só por amizade;
- já fiz uma tatuagem - linda!
- escrevo no blog – a realização de um desejo pessoal
- canto num coral. Mal, mas eu canto!
- conheço pessoas maravilhosas, que muito acrescentam na minha vida
- tomei as rédeas da minha alimentação, do meu peso e do meu corpo. Agora só falta do humor;
- dirijo pra onde precisar;
- tive vários empregos que me ensinaram muitas coisas;
- freqüento (e gosto de) academia;
- fiz curso de mergulho, embora faça anos, uma experiência inesquecível;
- já sou tia!!
- fui organizadora de dois livros e autora de capítulos (com muita satisfação!);
- participei da Universidade Solidária, no Maranhão – uma lição de humanidade;
- já perdi uma pessoa muito querida, e aprendi a dar mais valor à vida.

Há muitas coisas faltando na minha lista. E não acho que se deva antecipar coisas ou fases em função de uma data, cada coisa a seu tempo. Afinal, a vida começa no nascimento e não em uma data específica. Nem termina por aí. Na minha lista de coisas feitas, ainda vou colocar (só não garanto que até os 30, mas vou colocar):
- aprender uma terceira língua
- fazer uma viagem de carro pela América Latina; conhecer a Patagônia
- escalar
- cantar num barzinho
- aprender a fazer as unhas
- viajar mais
- colocar um piercing e fazer outra tatuagem
- aprender a andar de bicicleta (dispenso comentários sobre essa parte, não sei e pronto.)
- voar de paraglider
- escrever um livro
- cursar filosofia
- ver uma baleia de perto
- ter cabelo verde
- aprender a dizer não.

Renata ainda tem muito que fazer. E a lista não para de crescer.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Será que eu tenho?


Acredito que todo mundo tenha manias, umas piores, outras nem tanto. E eu lá, tambem tenho as minhas, e talvez, pelo menos para a mim, a pior de todas, tenho mania de pensar. Penso em tudo, a todos os momentos, constantemente. Procuro pensar na maneira como você pensa, tento me colocar no lugar de várias pessoas, chego até a fingir que não sou eu mesma, só pra saber como o outro poderia reagir a determinadas situações. E por aí tudo se desencadeia, começando com essa minha mania, até o hábito de pensar em como economizar o tempo. Se vou na rua e sei que tenho várias coisas a fazer por lá, mentalmente traço um caminho que gastará menos tempo, se vou ao meu quarto e já sei que depois tenho que usar o computador do meu pai e, nesse meio, corrigir provas, lavar algumas roupinhas e ir ao banheiro, faço o mesmo, pego as roupas, as provas, o copo sujo pra deixar na cozinha no caminho da lavanderia e saio do meu quarto empilhada de coisas e, até aí, ando pela casa de maneira que me faça, ao menos acreditar, que estou economizando o meu tempo. Sei que pareçe loucura e chego a pensar que possa ser mesmo, mas me sinto de certa forma, mais organizada comigo mesma, e, faço, como de costume, milhões de coisas ao mesmo tempo. Se erro o trajeto, me embaraço e reclamo, pois desperdiçei, minhas pernas, mãos e braços, uma vez que terei que voltar para buscar algo que esqueci de fazer pelo caminho. É, me assusto de vez em quando, e me pregunto quando foi que começei a raciocinar assim; e não sei a resposta. E continuo adiante, pensando e com uma pulga em minha orelha a perguntar: será que eu tenho?

Silvia escreve às segundas-feiras, por vezes achando que tem TOC.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Que Exemplo Infeliz ou Que Preguiça de Gente

Tô indo trabalhar na correria de sempre (não resisto a cinco minutos a mais na cama), zapeando o rádio e acabei deixando acidentalmente na Band News. Normalmente deixo é na Guarani FM mesmo, pra não começar meu dia ouvindo notícia ruim. Peguei o Boechat no meio de um comentário falando que na cédula eleitoral dos Estados Unidos vinham cinco matérias sobre as quais a população poderia (sim, porque lá o voto é facultativo) se manifestar sobre a alteração ou revogação da lei, além de votar e que isto deveria ser implantado no Brasil. Terminou por exemplificar que no mês passado (?) tinha havido votações por lá e que no estado x, por exemplo, não me lembro qual era o estado, a população havia decidido revogar a lei que autorizava o casamento gay.

Meninas, me deu uma dor de estômago tão grande na hora, meu pâncreas se contorceu de horror, fiquei ao mesmo tempo cega e surda, quase provoquei um acidente de trânsito. Como é que uma pessoa que tem o poder de se comunicar com as massas fala uma coisa destas no rádio!!! Me deu um asco deste cara! Olhem o currículo do âncora do Jornal da Band: ganhador de três prêmios Esso, começou a carreira no início da década de 70 e passou por O Globo, Estado de São Paulo e Jornal do Brasil. Que decepção, meu Deus!! Um cara destes me solta que as pessoas devem poder discriminar as outras de forma livre e legítima! Sim! Porque uma coisa é orçamento participativo, outra bem diferente é meter o bedelho nas liberdades individuais!! E uma vez que se fala de liberdade de orientação sexual e regulamentação jurídica da união civil entre pessoas do mesmo sexo você está sim tratando de liberdades individuais, ora bolas!! Vou além, estamos falando de Direitos Humanos!! Estamos falando do Pacto de São José da Costa Rica!! Ou a união entre duas pessoas sem filhos não é constituição de família?! Então eu e meu marido não somos uma família, nem seremos nunca, né, porque a gente não quer ter filhos!! Não estamos sob o amparo do Pacto de São José da Costa Rica!!

Aí, meninas, veio o meu choque maior. Fui conferir o Tratado pra poder vir de sola, né, no exemplo infeliz do Ricardo Boechat. Aí não foi meu pâncreas que se contorceu, nem meu estômago que embrulhou. Tive foi uma vontade súbita de cortar os pulsos!! Mas como isto só me renderia, além de muito deboche pela idiotice do ato, duas cicatrizes horrendas e incapacidade temporária para o trabalho – impensável para um profissional autônomo – restringi minha indignação a uma dose de whiskey. A Convenção Americana de Direitos Humanos é expressa ao dizer que “é reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de constituírem uma família”!!

Primeiro: do homem e da mulher!!! Segundo: observaram o verbo que antecede a palavra casamento? CONTRAIR!! Deve ser doença, né? Gente, vá lá, a convenção é de 69, mas não foi 1968 o ano que mudou o mundo?!! E o Boechat? Tava aonde em 1968? Lá no apartamento da Nara Leão participando do movimento da Bossa Nova? Com o Caetano tropicaliando por aí? Ou Bossa Nova e Tropicália eram coisa de vagabundo, maconheiro e gay? Ah, nem, viu? Que preguiça que me deu agora...

Gente culta, instruída, que se comunica com as massas, que forma opinião, falando no rádio que é bacana a população que sequer para pra pensar no que vai comer no dia seguinte poder revogar irrefletidamente uma lei que representa uma evolução da sociedade auto intitulada civilizada!! Onde é que vamos parar, hein? Porque pouquíssima gente tem a capacidade de se colocar no lugar do outro e menos gente ainda tem o hábito de se colocar no lugar do outro. E nem é por mal, não. É porque de uma forma geral, nem sempre somos educados assim. E mesmo quando somos, nem sempre o fazemos. Aceitar o diferente não é um hábito da sociedade. Nem deveria. Deveria ser simplesmente natural. Aí eu não teria passado mal com o exemplo infeliz do Ricardo Boechat e talvez não fosse necessário haver um Pacto de São José da Costa Rica.

Mas isto é utopia do mundo encantado de Laeticia. Eu já me contentaria com uma mudança nestes paradigmas hipócritas desta sociedade pseudo-católica-apostólica-romana que encobre a vida sexual nem sempre hetero de padres teoricamente celibatários. Bem faz a Suíça, lugar civilizado, onde os gays casam-se e descasam-se faz tempo. E onde não deve haver jornalistas de renome prestando este tipo de desserviço à sociedade que deve estar em permanente evolução.

Laeticia vai morrer defendendo o direito das pessoas serem felizes, independentemente de qualquer coisa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Resmungo...

Eu tenho um osso quebrado. E no momento moro em um sobrado. E quase que eu fiz um poema.

E se dizem que o poeta escreve melhor quando sente dor, no momento posso escrever um best seller.

Isso se eu estivesse de bom humor.

Do jeito que estou agora, meu best seller seria um livro de terror.

Sério, se eu não tomar cuidado, sou capaz de resmungar igual ao Rabugento pelo resto da noite.

Sozinha em casa com o cão que tem medo das muletas.

Aliás, estou procurando um nome para minhas muletas canadenses.

Tem que ser um nome de mulheres gêmeas. Tipo Mary e Anna. Mas algo mais acolhedor. Aceito sugestões.

Afinal elas me acompanharão para onde quer que eu vá pelas próximas 3 semanas.

Menos escada acima.

Preciso aprender a fazer compras com muletas. Como é que as pessoas empurram o carrinho de supermercado?

Outra coisa que não dá é pra carregar o copo d'água. Tem que encher perto da geladeira e tomar lá mesmo. Enfim, vários mistérios a serem resolvidos. Vários resmungos pela noite adentro.
Milena escreve aqui às quintas. Às vezes, só para reclamar. Humpt!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Não entendo - Clarice Lispector


Isso é tão vasto
que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa
quando não entendo.
Não entender,
do modo como falo, é um dom.
Não entender,
mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso,
é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais:
mas pelo menos entender que não entendo.



Carla não entende muita coisa que tem acontecido ultimamente. Não sabe se por conveniência ou apenas desentendimento. Mas tudo está extremamente confuso, doido, jogado no ar, inquieto, estranho... Pelo menos tem entendido que não entende mais nada!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Máscaras ou o Zorro e eu


Se você observar as pessoas, ou se observar a si mesmo com certo distanciamento, vai perceber que o uso de máscaras é muito mais freqüente do que parece.
Claro, quando o Zorro usa sua máscara, mesmo que esconda apenas uma partezinha do rosto, todo mundo vê. E aquele pedacinho de pano faz com que ele assuma uma postura que não ousaria ter de outra forma.
Existem máscaras cosméticas, efêmeras, mas que resultam em efeitos muito mais internos do que externos, em minha opinião. E sua utilização segue um ritual de auto cuidado e até de auto estima que é muito importante.
Ao esqueci as máscaras de proteção, usadas por profissionais, customizadas e banalizadas em tempos de gripe A., mas que protegem a saúde e a integridade física de quem se expõe a riscos na sua atividade profissional.
Há quem use máscara por diversão, como fetiche, como parte de fantasia em carnavais e festas. Cobrem parcialmente ou totalmente o rosto, mas mostram o que há por dentro, consciente ou inconscientemente, do mascarado em questão. As máscaras protegem, divertem, escondem e revelam.
E, claro, há máscaras que ninguém vê, mas que se usa. Para esconder um sentimento, para assumir uma postura mais adequada à determinada situação. Fazemos uso freqüentemente delas e, muitas vezes, sem nem perceber. A máscara da indiferença, pra cobrir um coração partido. A máscara da arrogância, pra cobrir a insegurança. A máscara com um sorrisinho amarelo, pra cobrir a inveja. A máscara da agressividade, para cobrir a fragilidade. A máscara de sorriso colgate, pra cobrir a tristeza. A máscara para cílios, para cobrir a noite passada aos prantos.
Eu percebo que quando estou professora, sou mais teatral, mais palhaça, porque isso me ajuda a ajudar as crianças a aprenderem mais. Em situações tensas, uso uma máscara de calma e autocontrole, que sempre me ajuda a resolvê-las.
E tudo isso é bom, pois me ajuda a transitar melhor em situações diversas.
O problema das máscaras é quando se perde a noção de qual máscara se está usando. Quando viram falsidade, esconderijo. Quando ninguém sabe qual é o seu verdadeiro rosto. Quando se é diferente com cada pessoa, em cada situação. Quando dentre todas as suas máscaras está o seu verdadeiro rosto, e você não o reconhece.

Renata escreve aqui às terças. Às vezes mascarada, às vezes não.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A primeira vez a gente nunca esquece


E pela primeira vez, lá se foi, Anastácia a um jogo de futebol. Não dos maiores, mas também não menos significante, foi a um jogo do time de sua cidade, para ela, por si só, interessante.

No início, não disse ao que veio, ou melhor dizendo, não lhe causou nehuma reação realmente expressiva. Contudo e com a chegada do segundo tempo, tudo se transformou. Uma vez que seu time, ou seja, aquele recém adotado, estava perdendo, quase, deslavadamente, e para completar os jogadores pareciam espantalhos que se jogavam ao chão. Anastácia sentiu uma vontade súbita de gritar. E gritou.

De nada adiantou, é claro, pelo menos não para o time, mas para ela, foi, simplesmente, ótimo. Uma sensação incrível poder chamar de PALHAÇO os que estavam se fingindo de machucados, de PERNAS-DE-PAU aqueles que nem corriam mais e nem fingiam que corriam, e de muitas outras coisas que para ela eram mais do que justificáveis.

É, para Anastácia, mesmo tendo perdido, ganhou - um alívio danado.

Silvia escreve às segundas, às vezes bem atrasada.