sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma Tarde no Minas Trend

Não é segredo pra ninguém que eu amo moda, né? Fico até pensando em trocar meu perfil de tablado e tribuna pra backstage. Óbvio. Não seriam passarelas do alto do meu 1,64m e do peso impublicável. Ficava assistindo flashes do Rio Summer, SPFW e Minas Trend pela TV e me imaginando na primeira fila e depois com cartão de crédito em punho pelas melhores lojas da cidade!! Ah, que sonho!!

E não é que hoje eu fui parar no Minas Trend? Pois é, e era pra eu ter ido em vários. Quem não se comunica, se estrumbica. O evento é da Fiemg e a trouxa aqui tem vários amigos na Fiemg e nunca havia me ocorrido que eles poderiam me arrumar algum trabalho de apoio na produção. Consegui melhor: um crachá de convidado e com a simplicidade daqueles que podem. “Estou com três convidadas, faz o crachá delas, por favor, meu bem? É Clarisse, Laeticia e Thacia. Brigadinha!”

E lá estava eu numa filinha básica pra ganhar um brinde, enquando a Thacia ganhava uma make up, quando alguém me chama. Genteeeeeeeeeee, era um cara da produção, justamente o responsável por nos garantir os tais crachás de convidadas: Pelé!! Meu amigo de infância!!! Siiiim, aquele mesmo que dançou quadrilha comigo no Dó-Ré-Mi e no George Chalmers, que dançou comigo em festinhas americanas, que arquitetou comigo a guerra de jaboticabas no especial que nos levava ao Instituto Alcinda Fernandes e que nos rendeu suspensão de uma semana! Que mundo pequeno!!

Hora do desfile, eu lá toda empolgada, com cara de freqüentadora assídua de desfiles de moda. Primeiro desfile: Apartamento 03. Gente, fala sério! Vocês têm que conhecer esta grife. Lindo, lindo! Nossa, amei de paixão. E nunca tinha ouvido falar. A-do-rei. Não me perguntem o preço porque não faço idéia. Esta não tinha stand. Segundo desfile era de acessórios. Não me lembro do nome porque não gostei de absolutamente nada. Terceiro desfile: Frutos do Mar. Biquinis. Cá entre nós, amigas. Vai tomar banho a gente (refiro-me a mim mesma quando digo a gente) não ter aquele corpitcho pra usar biquínis tão desbundantemente belos!!! E tinha duas modelos lá que acho que tinham que pedir licença pra serem deslumbrantes daquele jeito. Evidentemente, uma abriu e a outra fechou o desfile. A primeira era clarinha, mas não era branca cor de parede de hospital não. Tinha a pele firme. Era beeeeem magra, como são as modelo, mas tinha bundinha e peito. Não é o tipo de mulher que deve ouvir “gostooooosa” na rua, mas era chiquérrima!!! A outra era negra, elegante, a cintura da cidadã era uma falta de respeito, o que fazia com que a bunda também o fosse. A impressão que eu tinha é que se eu desse um tapa na bunda dela, não ia nem mexer, de tão dura. Affe, acho que tem dias que Deus está com preguiça e fala: toma, minha filha, hoje não vou dividir nada, toma tudo pra você mesmo!!! Sucesso, o desfile foi um sucesso. Aplausos de pé. A pergunta que não quer calar: aplausos de pé pras duas modelos ou pros biquínis? Dúvida crudelíssima rsrs

Hora de rodar os stands. Gente, quase morri!! Todos os mostruários de sapatos são literalmente meu número: 35!! O representante da Dilly muito gentilmente, diante da minha avidez pelos sapatos e do meu pedido para ter aqueles belíssimos exemplares de obras de arte nos meus lindos (modéstia às favas) pezinhos naquele exato minuto, me deu o cartão dele e pegou o meu e ESPERO que ele me ligue pra me vender o mostruário dele OU FAREI A VIDA DELE VIRAR UMA VERDADEIRA TORMENTA!!! Quase a Glenn Close em Atração Fatal.

As bolsas da Margot quase me enlouqueceram. Só não perdi a compostura porque tive a grata notícia de que o mostruário também é vendido quando vem a nova coleção!!! Dá o seu cartão aqui, moça, que vamos fazer negócio no futuro!!

Mais um passo e dou de cara com quem? Mabel!!! Olha que coisa. A vida, gente, não tem coincidência! Tem encontros! Quem é a diva das divas? Chanel, always Chanel. Chanel rima com Mabel!E Mabel é quase tudo na vida do ser. Quase porque tudo, só Chanel. E minha amiga Hélida estava lá no stand e me mostrou em primeiríssima mão a nova coleção da Mabel Magalhães. Choquei. Tudo lindo, deslumbrante. Mabel, né, gente?

Vou ser sincera com vocês. Determinadas situações, tipo uma ida ao Minas Trend, me colocam em um dilema muito, muito cruel. O que será pior: ser pobre de bom gosto, ou ser pobre de mau gosto? Eis a questão!!

Laeticia está com urticária de curiosidade pra saber o que tinha naquela caixinha que a Luz da Lua estava dando de presente pros convidados VIPS (aqueles do curral – paga língua) na primeira fila do desfile.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lista nº 15.987 - Coisas para fazer quando eu me aposentar

Aprender a tocar piano.

Aprender a costurar à máquina.

Fazer todos os álbuns de fotos que estão na minha cabeça.

Terminar de escrever o 13º livro que eu comecei.

Aprender a dançar.

Dormir até acordar todos os dias.

Cultivar um jardim.

Contar histórias para os pequenos.

Levar o tempo à sério.

Pintar o cabelo de lilás.

Morar à beira mar.

Parar de fazer listas.

Milena escreve aqui às quintas. Às vezes, só às vezes, pensando num futuro bem distante...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Feriadim

Dormir até mais tarde.
Pegar sol no campo.
Almoçar galinha com farofa (legítimo prato de farofeiros) em família, na sombra, no cobertor clássico dos piqueniques desde a minha infância.
Cochilar na grama, na sombra, ouvindo as aves e o barulho do vento nas árvores.
Ler, conversar, rir de bobagenzinhas.
Sem badalação. Sem TER que fazer tudo o que você não teve tempo de fazer durante o ano até aqui.

Renata teve o feriado perfeito.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Na reta final

Chegou Novembro,
e com ele aquela sensação de estarmos quase lá.
Festas de fim de ano,
músicas natalinas, luzes, pisca-piscas e muitos,
muitos papais- noeis.
Ainda não se gosto ou não,
compras, presentes, e muito,
muito dinheiro gasto.
Mas finalmente, férias.
Viajando ou não, férias.
Com a chegada de Novembro a gente se sente na reta final;
até que em fim.

Não sei ao certo mas acho que esse é um dos últimos feriados do ano. Temos um no início de Dezembro, se não me engano; mas hoje tive a impressão de ter sido providencial para recarregarmos a bateria e seguir em direção ao fim do ano.

sábado, 31 de outubro de 2009

Tecnomacumba: Ouça sem preconceitos!

O novo CD de Rita Ribeiro, “Tecnomacumba”, é esplêndido! A cantora maranhense, que já se apresentou na Suíça, Venezuela, Estados Unidos e Canadá, com outros discos, e já foi indicada, em 2001 ao Grammy, na categoria melhor álbum pop latino, lançou este ano um CD ainda melhor, mais apurado e cada vez mais preocupado com nossa cultura e nossas raízes!

“Tecnomacumba”, termo criado pela própria Rita Ribeiro para nomear o ritmo que une musicas de influência africana, do candomblé, com música eletrônica, traz novas interpretações a canções consagradas nas vozes de Clara Nunes, Maria Betânia, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Caetano Veloso, Ronnie Von, e traz também músicas novas. Há muitas canções com introduções de pontos do candomblé, e há ritmos do norte, como “Tambor de Crioula”, sobre o ritmo maranhense; e “Jurema”, sobre a Cabocla Jurema da Umbanda.
O tecno acelerou e deu novo fôlego a canções que pareciam não poder ficar melhores, mas que ficaram na interpretação de Rita Ribeiro. “Cavaleiro de Aruanda”, antes gravada por Ronnie Von, e “A Deusa dos Orixás”, que fora sucesso com Clara Nunes, estão revigoradas, com tom mais forte, e totalmente dançantes! É contagiante!

Além de ter criado um novo ritmo, com a junção de dois estilos que pareciam não combinar, e que agora parecem que não se separam mais, Rita Ribeiro exalta nossa cultura, nosso sincretismo cultural e religioso, com raízes africanas, indígenas, portuguesas; com nossas mistura de raças, credos, cores, tradições, que são características do Brasil, e que não podem se perder. Essa liberdade e diversidade que nos é oferecida é símbolo maior de nossa democracia, que é mais do que política, pois aqui podemos nos manifestar nas artes como em nenhum outro lugar.

Salve o sincretismo brasileiro!

Tania adora ritmos brasileiros de origem africana. E defende a liberdade de crença, pois vê crescer a cada dia a intolerância religiosa num país que é rico racial, religiosa, culturalmente, e que não pode ser calado por crenças que se afirmam como único caminho para Deus. Deus está em todas as coisas. Ele é onipresente!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Livre-se do Peso


Pelo título talvez vocês esperem encontrar aqui alguma receita maluca de dietas mágicas né? Não não... não é nada disso. Dieta? Sim, estamos todas sempre precisando!

Pra quem não é de BH talvez tenha visto nos jornais, temos passado por tempestades absurdas! Na minha singela opinião o mundo está acabando. Logo que começou a temporada de chuvas assustadoras, numa das primeiras (e talvez a pior que já tenha presenciado) haviam roupas no varal. O terraço é coberto, mas aberto nas laterais.

A chuva foi pior do que aquelas de filme de terror: acabou a luz, arrancou calha. No caminho do trabalho pra casa a avenida estava coberta de lama, carros empilhados parecendo de brinquedo. Geladeira, móveis, pessoas... Tudo revirado no meio da lama.

Passado o choque inicial, na ensolarada manhã seguinte, ao abrir a janela me deparei com uma cena que confesso que não sabia se ria ou se chorava. Olhando atentamente pra paisagem urbana da minha janela, reconheci que os pontos coloridos nos telhados dos vizinhos eram minhas roupas que estavam no varal. Cada uma em um telhado, pareciam ter sido colocadas, igual quando o coelhinho da páscoa esconde os ovos nos lugares mais difíceis, escolhidos a dedo!

Naquele momento não adiantava chorar, tão pouco tentar recuperar alguma coisa. É... há meses tenho adiado uma faxina no meu guarda-roupa! Algumas coisas que não uso mais, outras que não servem mais, tudo isso tem que ser passado a diante. Por bem ou por mal.

Mariana nunca foi apegada aos bens materiais e está sã e salva da chuva.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

E se pudéssemos comprar mais tempo?

Eu compraria mais tempo com minha avó. Mais esse tempo seria do passado. Eu passaria mais destes dez anos que saí de casa voltando para casa...

Eu compraria mais tempo com minha mãe. Mesmo que fosse virtualmente...

Eu compraria mais tempo com minhas tias. Rindo até doer a barriga...

Eu compraria mais manhãs de sono...

Eu compraria mais tardes de domingo...

Eu compraria mais noites com meus amores...

Eu compraria mais madrugadas com meus amigos...

Eu compraria mais manhãs com meus cachorros...

Eu compraria mais tempo para ler, estudar e pensar...

Eu compraria mais tempo comigo mesma...


Milena escreve aqui às quintas, quando o tempo permite.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Bridezilla – o fim da saga

Este não é mais um post de uma noiva desvairada às vésperas do casamento. É o último deles, graças a Deus.

Miss planilha virou meu apelido nos últimos meses. Sem brincadeira, foram mais de trinta planilhas, chutando por baixo, em diversas versões, envolvendo “organizações”. Listas de orçamentos, convidados, convites já entregues, crianças na festa, músicas, mais músicas, músicas ainda, quem quer van, quem quer cabeleireiro, hotéis, confirmações de presença, deduções de ausência (pois descobri que ninguém confirma que não vai), presentes que queremos ganhar (que fizemos sob ameaças múltiplas, pois eu não queria as tais listas), presentes que ganhamos para agradecer. Quem vai ficar com quem em que mesa, quem não quer ficar com quem em que mesa, doces que gostei de cada doceira, doces que gostei dentre todas as doceiras, listas de compras, de providências, de não esquecer.

Miss Pití foi meu auto-apelido, pois foram muitos e agora ainda ando tendo que agüentar os dos outros, com cobranças do que ainda não está resolvido, decidido ou pronto. Estou quase atendendo o celular dizendo que “não, não, este número não é desta fulana”.

Nem tudo saiu como o planejado. Sorte é que este “momento” nunca foi mesmo muito planejado, então, conseguimos ser bem flexíveis. Porém, descobri que muita coisa na vida de um casal de noivos não se escolhe, se adota e pronto, e de preferência se escuta, mas não se processa quanto vai custar (em dinheiro, tempo ou dedicação), ou então a desistência virá.

Descobri muitas outras coisas inesperadas, que têm valido a pena nem sempre por serem boas, mas pelas suas lições. Descobri que resolver comemorar um evento deste “porte” é um teste de quanto se está consciente da própria vida. Você vai convidar mais gente do que gostaria, vai se preocupar muito com o que fulano ou beltrano vai pensar por ser ou não convidado (mesmo que isso seja absolutamente contra sua filosofia de vida), vai mudar de idéia muitas vezes. No fim, se você tivesse desde o início pensado, não no dever social, mas no que seu coração dizia, teria economizado muito trabalho e dinheiro, pois os que lá estarão, tirando algumas exceções por motivos de força maior, serão aqueles cujos corações têm uma linha direta com o seu. Você vai descobrir que algumas pessoas que você considerava muito não estão nem aí para você. E vai se surpreender com outras que merecem muito mais valor que você tem dado.

Não descobri, pois eu já sabia, mas confirmei o valor da minha família, e valor da nova família que estamos formando e dos novos laços que estamos criando que, sim, passam a ser diferentes quando a convenção casamento se concretiza, mesmo antes do altar.

Mais do que tudo, descobri que entrar nesta “maratona” a dois, e passar tantos momentos de discutir escolhas e gostos, juntos, exercitando nosso respeito, nossa tolerância e nosso amor, e ainda conseguindo se divertir e ter muita satisfação com cada detalhe, cada conquista, cada meio termo, cada resolução, foi o melhor de tudo.

Desejo a todos que escolhem passar por todos estes rituais de dividir a vida com alguém e formar uma família, quer isso tenha ou não sido um grande sonho, que no fim, o objetivo primeiro se mantenha: olhar para aquele cara vestido de pingüim, ou para aquela doida vestida de branco e ter o coração acalentado e a paz da certeza do que se quer.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. “Bridezilla” é a divertida definição dos australianos que certamente melhor se encaixa ao seu atual momento. Deu trabalho, mas valeu a pena.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O blog e a prisão de ventre

Dias de final de ano (sim, é só outubro, mas o peso do final de ano já se faz sentir, ainda mais quando não se teve férias...) compridos, pesados e tão cheios de atividades que poderiam muito bem valer por uma semana.

Respostas ferinas e mal educadas, guardadas na ponta da língua a muito custo, para tentar evitar, ou, ao menos, adiar, grandes confrontos.

Perguntas irônicas e ríspidas, também guardadas.

Desabafos, desaforos, todos cuidadosamente empilhados, para não ocupar tanto espaço, já que muitos ainda virão.

Resultados mais visíveis: desavenças com as pessoas mais próximas, as que mais percebem os escapes. Falta total de tempo e ideias pra escrever no blog. E, sim, prisão de ventre, já que o corpo se concentra em segurar todo o lixo, segura todo mesmo...

Renata sabe que este comportamento não é saudável, e vem se esforçando pra conversar mais, falar as coisas com jeito e não reprimir tudo, mas não é fácil, não.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço"


É, o ditado aprendemos na marra, usualmente bem rápido, aprendemos também a ajudar os outros, em especial os que mais precisam, aprendemos a ter humildade e paciência com os que não tem, a ter bondade, respeito, educação e gentileza.

Desde quando nascemos temos alguém para nos ensinar, nem sempre absorvemos tudo, algumas idéias nos parecem mais certas do que outras, mas com o tempo e com nossos próprios erros, percebemos que tinham razão. Contudo também nos ensinam que são falhos, e que por vezes, e por motivos obscuros, não conseguem seguir seus próprios conselhos.

Nos magoam sem razão, não pedem desculpas e nem dizem ou demonstram que gostam de você, se mostram indiferentes, como se fossem imunes a erros e defeitos. Se mostram acima de tudo e de todos, usam a idade como desculpa e a TV como fuga. Parecem esquecer que também ensinaram a perdoar sempre, mas esquecer jamais.

Aos nossos pais, pessoas que seguimos, que nos orientam e que, de quando em quando, nos machucam sem razão, com pequenos ações e palavras. Parecendo terem esquecido seus ensinamentos, até mesmo o de nunca esquecer.

domingo, 25 de outubro de 2009

Despedida


Um amigo faleceu. Ele fazia parte de um grupo de amigos da praia.

Abaixo encontram o discurso de despedida de um dos seus amigos, que é a mais pura celebração da amizade e admiração por quem nos deixou aos 32 anos de idade pelo maldito ataque cardíaco que também levou meu irmão.

O motivo pelo qual divido isso com vocês é porque assim como eles, gostaria que repensássemos no valor da amizade e na velocidade com que o tempo come nossas vidas. A vida tem pressa e é necessário valorizar o que realmente tem valor visceral. Na maioria das vezes só pensamos nisso quando algo de terrível acontece. Mas é possível sim dar valor aos que amamos enquanto eles estão ali, bem pertinho de nós.

Hoje temos menos semelhanças com nossos amigos do que na adolescência, tanto as de personalidade quanto as da aparência.

Gostaria muito de que a centelha de amor, amizade, afinidade, intimidade ainda fosse dividida por muito tempo, apesar de tudo. Amizades são definitivamente necessárias em nossas vidas e espero que entendamos mais e principalmente compreendamos mais que as pedras no caminho são para nos fortalecer e que o perdão é vital no desenvolvimento do ser humano.

Que Deus esteja sempre nos nossos caminhos e mantenha nossos corações em paz.

"Dizem que a vitalidade de uma amizade reside no respeito pelas diferenças e não apenas no desfrutar das semelhanças. Felizmente, para nós, isso nunca foi uma verdade definitiva. Sempre nos restavam semelhanças, mesmo quando abusávamos da confiança que cada um fazia questão de dispor.

Obviamente, não se trata aqui de semelhanças físicas (uns eram cabeludos, outros não; uns eram mais baixos do que outros; uns eram bem mais magros... bem mais magros do que eu, com certeza).

Ora, sempre existiu em todos o gosto pela imaginação, pelos jogos de poker, pelas festas inesquecíveis, pela noite, pela nossa eterna prainha e indiscutivelmente o amor pela família, tanto é que nos tornamos, nós próprios, uma grande família. E, numa família, como é de se esperar, temos de tudo um pouco, os alegres, os chatos, os espertos, os divertidos, os extrovertidos ou, ainda, os que têm maiores ou menores afinidades com os demais. Mas de todos os possíveis “estereótipos”, creio que havia apenas uma unanimidade. Apenas um sempre foi admirado por todos.

Assim, no dia de ontem perdemos nossa única – indiscutivelmente única – unanimidade. Todos nós o amávamos: amávamos como irmão; amávamos pelo seu carinho, sua dedicação para com os amigos, sua lealdade, seu companheirismo, sua criatividade, sua presença de espírito, seu jeito particular de ver as coisas e sua maneira de lidar e viver com o grande amor de sua vida, sua esposa.

Nossa dor é tremenda. Nada, nem ninguém, poderá suprir sua ausência. Mas se Deus resolveu que era hora de nos privar da companhia de nosso irmão, fazemos aqui um juramento: Amigo, jamais serás esquecido, vives e sempre viverás em nossos corações e lembranças. Te amamos."

Lilian Scherer escreve aqui esporadicamente e hoje esta em luto. Espera da próxima vez estar mais alegre e celebrar um grande acontecimento em sua vida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Resiliência.

Está na moda agora esta tal de resiliência. Nem mesmo o Word sabe o que é isso, mas sobrou para a balzaca moderna, além de ser profissional, mãe, esposa, desportista, artista, doméstica, massagista, sarada, alisada e paciente, ter agora que ser também resiliente.

Segundo pai Google [sic Aurélio moderno], resiliência, um conceito originalmente do campo da física é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de tal deformação elástica. É lógico que esta definição tão bonita foi adaptada pelo psicologiquês moderno e, hoje, ser resiliente é tomar pancada e continuar sorrindo. Pollyana foi o primeiro grande exemplar de pessoa dotada de resiliência.

A idéia é que as pessoas ou são iluminadas e já nascem assim, ou lutam muito para adquirir um pouquinho desta coisa, só pra poder dizer, em uma entrevista de emprego qualquer, que “adquiriu resiliência nos últimos anos” (pensando Yessssss). Também se pode entender resiliência como o bom e velho se a vida te der um limão faça uma limonada, como meu conceito recentemente preferido de que sorria para o mundo que o mundo sorri para você, ou ainda como o comportamento Zazen adotado por algumas filosofias orientais.

Sério. Tenho sérias dúvidas sobre tal movimento resiliente. Os alegados benefícios para quem conquista tal qualidade são muitos. Quem, dentre os naturalmente estressados e revoltados, como eu, não gostaria de ter mais paz de espírito, de se abalar menos com as coisas, de ser menos visceral, de se afetar menos (e afetar menos os outros) com as injustiças e frustrações deste mundo? Quem não gostaria de, no trabalho, ficar tranqüilo quando acaba tendo que fazer algo que não concorda porque foi mandado, mesmo expondo os riscos envolvidos e tendo declarado sua contrariedade? Chegar em casa e nem pensar mais nisso nem despejar a lamúria em quem lá está para curtir bons momentos? Não dar bola para a Telefônica, as companhias aéreas, o banco, o seguro que nos infernizam com sua incompetência, lidando com eles pacientemente? Eu gostaria! E de lambuja possivelmente deixaria de ter queda de cabelo, desidrose, gastrite e ansiedade patológica.

Mas como? Até andei tendo alguns sucessos de resiliência nos últimos tempos. Às custas de muito treino (inspira azul, expira vermelho) e boletinhas. Imediatamente se pensa que puxa, consegui, que legal, estou controlada, passei íntegra pelo temporal, estou apenas um pouco descabelada, mas tudo bem, sorrindo. Imediatamente depois eu penso no Ferdinando, aquele touro palerma que respirava uma florzinha num desenho animado (acho que era Pato Donald), lembra? E nos uniformes de colégio. E no Admirável Mundo Novo, onde tomar o SOMA (a pílula da felicidade) era praticamente compulsório para todos. E no musical do Queen, que assisti com minha irmã, onde todos se vestiam iguais, instrumentos musicais foram banidos e só era permitido dançar uma certa coreografia de uma única música eletrônica. Então me sinto uma idiota. Como adquirir algo que, de uma hora pra outra se tornou item de nécessaire unanimemente fundamental, mas que bem no fundo não nos convence muito?

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Ser ou não ser... Eternamente ser ou não ser...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

2014 - Copa, que nada! Mais uma viagem no tempo! (ou como você tenta se comunicar consigo mesma, daqui a 5 anos)


Andreia, euzinha aqui, tentei te procurar exaustivamente, mas a busca foi em vão. Será que sua aparência mudou tanto assim? Onde será que reside? Ainda está viva? Graduou-se? Casou-se? Oh não, teve filhos?

Quero te encontrar, mas não a vejo. Será que terei e procurar um daqueles programas de reencontro de famílias? Impossível, nós não faríamos isto. Tenho uma carta para a Andreia de 2014, novamente, terei de me envolver com viagens no tempo entre dimensões.

Estou em 2014, porque esta é uma carta para ser entregue em mãos, não através de um correspondente qualquer. Agora estou em seu tempo e em sua dimensão, como faço para me encontrar?

Primeiro: verifiquei o meu endereço, certamente minha mãe ainda está viva, sua saúde é incrivelmente boa, o oposto da minha. Mas, cadê a casa? O que será que ocorreu, ela não abandonaria a vizinhança (embora esse fosse um desejo meu). Vai ver ela enxergou que a vizinhança já não era o que costumava ser na década de 80 do século passado.

Século passado... Nossa, sou uma criatura de outro século que viaja pelas dimensões espaço-tempo. Dr. Walter Bishop e Daniel Faraday teriam inveja de mim. Sim, definitivamente, estou perdendo a sanidade, misturar Fringe e Lost nesta viagem, é, definitivamente, uma viagem.

Já sei!

Web! Meu irmão estará online em algum lugar. Ainda bem que wireless está disponível em toda a cidade, é só me conectar.

Achei fácil, também, em que lugar melhor para encontrar um Workaholic e nerd. Nerd? Já é obsoleto em 2009, será que geek pegou? Ou qual será a nova definição? Google já!

Droga, eu achava que o Google iria dominar o mundo, mas a Microsoft já se estabeleceu com sua ferramenta de busca vinculada ao navegador, e desbancou o Google...

Perdi o foco, pra variar, tenho que me encontrar (e me concentrar)! Em que lugar você se esconde? Estou começando a achar que alguma de suas (minhas) patéticas soluções suicidas deu certo...

Não, eu nunca tive coragem de encarar uma suicida verdadeira, não vai ser agora.

2014, copa no Brasil, daqui a 2 anos olimpíadas, já sei, você está em algum canteiro de obras deste país!

Posso lhe rastrear, e lhe entregar a tal carta, mas não posso aparecer, minha viagem ao passado mostrou-se um tanto desastrosa, duas Andreias juntas, com intervalos de tempo, não irão funcionar, tenho medo de me estragar mais ainda. Mas o meu irmão poderá servir de ponte...

Bem pensado!

A carta:

“Andreia, amada e incompreendida,

Demorou, mas você conseguiu se formar em 2011, tarde, é verdade, você se culpa pela demora da graduação, você se ressente com o desprezo ou o desinteresse de algumas pessoas que lhe ajudaram, mas nunca a compreenderam. Faz um favorzinho para mim, não guarde mágoas. São muitas, eu sei, mas não servem para nada...

Você já obteve alta do psiquiatra? Está em alguma terapia? Ou algum outro tipo de tentativa de ajuste?

Espero, no sentido de esperança, que você esteja bem, e que não se preocupe mais em ser normal, preocupe-se em ser você (eu). Mostre o seu interior, se é que ainda não o fez.

Não se apegue a este passado de dores. Sei que você se agarra no passado, mas deixe-o, é o melhor, simplesmente esqueça-o.

Não descobri que tipo de trabalho está fazendo, mas a pergunta importante é: está feliz? Realmente, profundamente?

Provavelmente você ainda pensa em felicidade como utopia, mas se permita ser feliz, aproveite pequenos detalhes do dia-a-dia, seus gatos, principalmente, e sua família, porque não?

Ainda procurando respostas? Já sabe as perguntas, por acaso? Isso sempre ocupou espaço na sua mente, e tempo da sua vida. Não sou filósofa, você também não o é.

Mesmo sendo assim em 2009, lhe asseguro: não existem respostas definitivas, você sempre soube, e, algumas vezes, elas simplesmente não existem. Pare de procurar em que ponto da sua vida a avalanche de tristeza e medo lhe encontrou.

Não há um por quê. Ou talvez exista, mas que diferença faz, ou fez?

Ainda tentando achar o par ideal? Sei que não o encontrou, exigente demais, e pouco perseverante neste assunto. Arquitetura sempre vem em primeiro lugar. Se ainda você é assim, mude. Eu não consigo agora (2009), tento, mas tentativas inócuas, você sabe.

Já devo ser tia! Aproveite essa criança. Acho que encontrei minha mãe, ela deve estar morando perto deles. Será que nós estamos?

E o vazio interno que te dominou por quase uma década, ainda não foi preenchido? Se a resposta for não, preencha-o. Agora!

Pense em você. Sua aparência jovial se manteve, aproveite-a!

Eu (2009) quero ser feliz, ter meu diploma, mesmo em gabinete, tanto faz, e quero ser feliz em 2014, ou antes.

Consegui?

Quero que a resposta seja sim, se não for, minta para mim, preciso, desesperadamente, saber que dei certo em algum ponto da minha vida.

Com o mais puro carinho,
Andreia de 2009”

Andreia, em mais uma saga tempo-espaço. Isso que dá se fixar em ficção...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nem tudo o que pareçe é, mas às vezes poderia ser


Andando pela ruas de minha cidade, já num clima ameno de chegada da gloriosa Primavera, vi no chão uma concha, daquelas que se põe o ouvido e se escuta o som do mar. Cheguei mais próximo para alcançá-la e percebi, nem tão frustrada, nem tão surpresa, que era apenas uma casca de laranja, um bagaço na verdade, enrrugado de tal forma que ficou igual ao que não era. E me lembrei de que não moro no mar, nem na praia, nem próximo a eles, e, desta maneira, as conchas teriam que cair do céu para estarem aqui. O que não seria uma má idéia.

Silvia escreve às vezes em Minas, às vezes em ilusões, doces.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não Mais

Eu tava no trânsito, paradinho da silva, como sempre, indo pro centro espírita. Já era noite. Olhei pela janela e comecei a observar as pessoas ao meu redor. De dentro do carro, eu não ouvia a barulhada. As janelas estavam fechadas, ar condicionado ligado, Bebel Gilberto cantando pra mim. Mas do lado de fora o mundo parecia que estava acabando. Pessoas nervosas, estressadas, todos loucos pra chegar em casa. Já eram quase nove horas e era sexta-feira. O complexo Complexo da Lagoinha parecia um mar de faróis vermelhos. Abri um pouco a janela movida por uma curiosidade meio mórbida. Queria ouvir o som da cidade. O barulho era insuportável. As pessoas buzinavam quando o semáforo acendia a luz verde, mas o trânsito estava parado, não adiantava. E o sinal ficava vermelho de novo. Na medida em que esta situação se repetia, as pessoas ficavam mais nervosas, mas estressadas e buzinavam mais ainda. Fechei a janela. Bebel Gilberto é bem melhor. Continuei observando. Algumas pessoas, ou melhor dizendo, muitas pessoas aproveitavam para retornar ligações: quanta gente ao celular! Outras, em menor quantidade, empunhavam Blackbarries. Pelo menos não estavam em movimento. O trânsito deu sinais de melhora, andou um pouco, mas parou rapidinho. Fiquei com medo de não conseguir chegar a tempo ao centro espírita, mas, enfim! O que poderia euzinha fazer, não é mesmo? Continuei aproveitando a serenata que Bebel fazia pra mim e olhando ao redor. Fiquei pensando no meu dia, sabem? Eu estava ali, relaxando no meio do caos! Pensei nas coisas que havia feito, mas principalmente nas que eu havia deixado de fazer. Pensei na correria em que eu estava vivendo novamente, na correria em que o Bola também vive, em que todos nós vivemos, afinal de contas. Lembrei de um tempo em que a gente não tinha celular, que internet não estava ao alcance de todos, que o mundo não era online, nem virtual. Engraçado, né? Tínhamos as mesmas urgências de hoje. Só que estas urgências, antes da velocidade da informação – traduzindo: antes da correria digital, que promoveu a nossa correria – sempre podiam esperar um dia ou dois. E hoje não podem esperar nem minutos!! Todo mundo quer tudo imediatamente. Como é que se fazia no tempo da minha avó? Na época dela era tudo a telex e cavalo! E ela vivia muito bem, viu? Aí fiquei pensando no que o ser humano havia transformado a sua própria vida. Nós começamos a ter pressa de tudo. Primeiro viramos escravos do relógio. Aí, fomos nos deixando escravizar por vários meios de comunicação instantânea: celulares, notebooks, blackberries. Deixamo-nos subjugar por metas, prazos e resultados. Dinheiro, dinheiro, muito dinheiro. Afinal, qual é a mola da sociedade contemporânea auto intitulada civilizada? A verdade nua e crua é que corremos por dinheiro. Corremos muito pra ter ou ser algo que depende de dinheiro. Queremos casas bonitas, carros velozes, roupas de qualidade. Queremos ser bonitos, cheirosos, charmosos. E pra isto, precisamos trabalhar muito, correr o tempo todo, pra bater metas dentro dos prazos e superar os resultados esperados!! Sempre correndo, correndo, correndo!! E foi aí que caiu a minha ficha: a gente corre, corre, corre a vida toda sabem pra quê? Pra um dia poder parar de correr e descansar!!! É. Que coisa. O trânsito andou.

Laeticia hoje fez a besteira de achar que não podia desacelerar e pediu para ser esporádica no blog, mas se arrependeu e, se ainda der, quer continuar como fixa. Não quer nada de correria na sua vida. Não mais.